DEFESA NACIONAL

Como se tornar sargento do Exército

O candidato passa por curso de formação por um um período de dois anos, preparação física. O salário base é de R$ 4.177, mas pode ultrapassar R$ 5 mil com adicionais

Ian Vieira*
postado em 05/04/2026 06:00 / atualizado em 05/04/2026 06:00
 Primeiro Tenente Ávila entrou no quadro do Exército Brasileiro como sargento -  (crédito: Fotos: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
Primeiro Tenente Ávila entrou no quadro do Exército Brasileiro como sargento - (crédito: Fotos: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
 
O ingresso ocorre por concurso público para a Escola de Sargentos das Armas (ESA), instituição responsável pela formação de sargentos do Exército Brasileiro. Após aprovação no processo seletivo, o candidato passa por curso de formação de dois anos, com treinamento militar, preparação física e instrução técnica nas áreas operacionais ou administrativas. Durante esse período, o aluno recebe formação para a liderança de tropas e execução de atividades especializadas dentro do Exército.
Ao fim do curso, o militar se torna terceiro-sargento e inicia carreira no EB, com possibilidade de progredir na hierarquia conforme tempo de serviço, cursos obrigatórios e avaliações de desempenho. O salário base inicial é de R$ 4.177, e pode ultrapassar os R$ 5 mil com adicionais. A patente máxima é de subtenente, e a passagem para reserva remunerada também ocorre após 35 anos de serviço. 
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O primeiro-sargento Leandro Ávila, 42 anos, ingressou no Exército por meio da ESA, após período de serviço na Marinha do Brasil, e explicou o motivo do interesse na carreira. “Iniciei minha trajetória militar na Marinha. Buscava estabilidade profissional, segurança financeira e oportunidades de crescimento. Alguns anos depois, motivado pelo desejo de ampliar minha formação e assumir novas responsabilidades, prestei concurso para o Exército”, afirmou. “Fazer parte de uma Força Armada é desafiador, mas também gratificante.” 

Militar temporário 

O ingresso ocorre por meio de processos seletivos regionais destinados a profissionais com formação técnica ou superior, convocados para atender demandas específicas do Exército. Após a aprovação e o envio dos documentos exigidos, o candidato passa por um período de adaptação militar e treinamento básico, no qual recebe instruções sobre disciplina, organização e funcionamento da instituição. Esse modelo permite que profissionais civis atuem em áreas técnicas ou administrativas dentro da força. 
Após a incorporação, o militar temporário pode atuar como oficial (nível superior), geralmente sendo primeiro-tenente, ou praça (nível médio/técnico), como terceiro-sargento, dependendo da formação e da função desempenhada, exercendo atividades da área de especialidade. A remuneração segue a tabela correspondente ao posto ocupado, podendo variar entre cerca de R$ 5 mil e mais de R$ 9 mil mensais, além de adicionais previstos para a carreira militar. Nesse modelo não há progressão completa na hierarquia, e o tempo máximo de permanência é de até oito anos de serviço. 

Serviço obrigatório 

Todo cidadão brasileiro do sexo masculino deve se alistar no ano em que completa 18 anos, conforme determina a legislação do país. Após o alistamento, os jovens passam por um processo de seleção conduzido pelo Exército Brasileiro, que avalia condições de saúde, aptidão física e disponibilidade de vagas nas unidades militares. Aqueles considerados aptos podem ser incorporados ao Exército e passam por um período inicial de instrução militar básica, no qual recebem treinamento físico, noções de disciplina, ordem unida e atividades operacionais básicas. 
Após a incorporação, o recruta exerce a função de soldado e participa das atividades rotineiras da unidade militar, como instruções, treinamentos e apoio às operações da instituição. O período de serviço normalmente dura 12 meses, mas pode ser prorrogado em alguns casos. A remuneração inicial é de R$ 1.177 mensais, além de alimentação, fardamento e assistência médica. Ao final do período obrigatório, o militar é licenciado, podendo retornar à vida civil ou buscar seguir carreira na instituição por meio de concursos e processos seletivos internos. 
»ENTREVISTA | MAJOR JOSÉ RAIMUNDO SILVEIRA CERQUEIRA | 50 ANOS 
Quartel General do Exército.  Major Cerqueira
Quartel General do Exército. Major Cerqueira (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
“Não encare a carreira militar como um mero concurso público” 
O que motivou o senhor a ingressar no Exército? 
Possibilidade de nova carreira, com estabilidade, desafios profissionais e salário atraente, proporcionando melhores condições para minha família  
Há quanto tempo está na carreira militar? 
19 anos, completados justamente agora, em 12 de março.   
Qual foi a forma de ingresso no Exército? 
Concurso público da então Escola de Administração do Exército (curso de formação em 2007), atual Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército, sediada em Salvador-BA, para ingresso no Quadro Complementar de Oficiais (QCO). 
Quais as dificuldades que enfrentou no processo de formação militar no início da carreira?
Dificuldades normais de mudança de rotinas pessoais e profissionais. Mas como tive uma educação extremamente rígida (meu pai serviu à Marinha por cinco anos e incorporou o modo militar de ser), a questão do respeito à hierarquia e à disciplina, pilares do Exército, não foi de modo algum um dificultador. 
Como a formação militar impactou sua vida pessoal?
Como o oficial do QCO já tem uma faixa etária mais elevada que os da linha combatente, a vivência e experiência de vida proporcionam maior maturidade para superar desafios. O maior impacto veio após a formação, com a transferência para outra cidade. Tinha um filho da primeira união, ainda muito novo, de quem nunca havia me afastado. Ficar longe dele, dos meus pais e da cidade onde vivi toda a vida (Salvador- -BA) foi um tanto difícil. Mas tudo é contornável, o apoio dos amigos de trabalho ajuda no emocional, e há a possibilidade de retornar à cidade de origem para servir, o que ocorreu comigo (de 2012 a 2015). 
Que conselho daria a um jovem que deseja seguir carreira militar?
Não encare a carreira como um mero concurso público. É preciso ter um mínimo de vocação para a vida na caserna e entender o real sentido de servir. Sim, o salário segue sendo atraente, bem como os benefícios na reserva. No entanto, é preciso desenvolver características como disciplina, espírito de corpo e sentimento de cumprimento de dever, sem esperar por isso congratulações ou prêmios individuais. A satisfação em ver uma missão bem cumprida nos engrandece enquanto militares. 
Como vê o futuro do Exército Brasileiro nos próximos anos?
O Exército é uma Instituição permanente, com quase quatro séculos de história. O respeito às tradições, com valores transmitidos entre as gerações de militares, trouxe o Exército até aqui. Do mesmo modo, a capacidade de se modernizar e realizar adequações estruturais compatíveis com novos desafios fazem a Instituição se manter relevante e presente em todo o território nacional. Vejo as altas esferas do Exército atentas a essa necessidade de modernização de estruturas e atualização de processos, sem perder de vista valores institucionais fundamentais. De igual maneira, vejo as novas gerações de militares seguindo os exemplos daqueles que as antecederam em termos de comprometimento e dedicação ao serviço. 
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá 

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