Rede EJA e Inclusão Produtiva estima que superar a defasagem educacional pode elevar a renda do trabalho

Nova rede une setor público e privado para mudar a realidade de 64 milhões de brasileiros que não concluíram a educação básica e ampliar a renda

Correio Braziliense
postado em 08/07/2026 18:31
O estudo aponta que a EJA alcança apenas 1,5% de seu público potencial no país, deixando milhões de brasileiros sem acesso à retomada dos estudos. -  (crédito: Felipe Soares)
O estudo aponta que a EJA alcança apenas 1,5% de seu público potencial no país, deixando milhões de brasileiros sem acesso à retomada dos estudos. - (crédito: Felipe Soares)

A economia brasileira poderia gerar R$ 66 bilhões a mais por ano em rendimentos do trabalho caso parte da população sem escolaridade básica concluísse os estudos, segundo estimativas apresentadas no lançamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva. O valor equivale a cerca de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e reflete tanto o aumento da renda de quem já está empregado quanto a entrada qualificada de mais pessoas no mercado de trabalho.


O dado faz parte de um estudo do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ), que revela a dimensão de um dos maiores desafios sociais do Brasil. Cerca de 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. Desse total, a maioria — 44,7 milhões — não concluiu o ensino fundamental, e 19,3 milhões não concluíram o ensino médio.

Leia também: Inscrições gratuitas abertas para a Olimpíada de Eficiência Energética de 2026


Para enfrentar esse cenário, foi lançada nesta terça-feira (7), em Brasília (DF), a Rede EJA e Inclusão Produtiva. A iniciativa une os setores público e privado para colocar o tema em evidência, articular gestores e apoiar a criação de políticas públicas mais eficientes. O projeto reúne 16 instituições, entre elas a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Bradesco, a Fundação Itaú - Itaú Educação e Trabalho e a Fundação Arymax.


O custo da baixa escolaridade

Os prejuízos individuais e coletivos decorrentes da falta de acesso à educação são concretos. A diferença nas oportunidades no mercado de trabalho é significativa: entre as pessoas que não concluíram o ensino fundamental, apenas 43,1% participam ativamente da força de trabalho.


Esse percentual sobe para 73,5% entre aquelas que concluíram o ensino médio. O mesmo ocorre com a formalização. Entre os ocupados sem o ensino fundamental completo, apenas 38,4% são empregados formais, contra 65% entre os que terminaram o ensino médio.


Realidade da EJA no Brasil

Apesar da alta demanda potencial por Educação de Jovens e Adultos (EJA), as matrículas na modalidade vêm caindo nos últimos anos, acompanhadas pela redução da oferta. O estudo aponta que a EJA alcança apenas 1,5% de seu público-alvo no país, deixando milhões de brasileiros sem acesso à retomada dos estudos.


A análise também mostra que a distribuição do problema é desigual no território. Embora a maioria dos estados apresente altos índices de evasão, em muitas cidades das regiões Norte e Nordeste, mais da metade da população com 15 anos ou mais não concluiu a educação básica.


Entre 2012 e 2025, a demanda potencial da EJA caiu 16%. No entanto, essa redução não está associada a uma melhoria no acesso à educação. O diagnóstico revela que mais da metade dessa diminuição está associada à mortalidade das gerações mais velhas, que não tiveram assegurado o direito à educação.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação