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Especialista indica o cooperativismo como saída para a sobrecarga administrativa na arte

e no modelo industrial do passado existiam sindicatos para mediar as relações de trabalho, o cenário atual de microempreendedores demanda o resgate da atividade associativa e das cooperativas para estabelecer pontes mais justas

Correio Braziliense
postado em 19/07/2026 06:00 / atualizado em 19/07/2026 06:00
O Motim, feira colaborativa de arte impressa do DF e grande vitrine para os artistas da capital, já chegou a reunir 20 mil pessoas na Galeria dos Estados  -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
O Motim, feira colaborativa de arte impressa do DF e grande vitrine para os artistas da capital, já chegou a reunir 20 mil pessoas na Galeria dos Estados - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
A necessidade de o artista acumular funções administrativas encontra um teto que ameaça a própria potência da obra. Para o professor Alexandre Kieling, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Inovação em Comunicação e Economia Criativa da Universidade Católica de Brasília (UCB), se o profissional trabalhar sozinho, inevitavelmente terá que recorrer a competências ligadas à gestão para converter o valor simbólico da arte em valor econômico. No entanto, a saída para a sobrecarga não deve ser o isolamento. 
“O ideal é pensar essa atuação de forma coletiva, reunindo um grupo de artistas que possa ser assessorado por alguém com esse tipo de competência. Essa atividade de gestão e de acompanhamento financeiro passa a ser uma demanda natural das expressões artísticas”, analisa. Sem essa articulação, Kieling adverte que produções de excelente qualidade correm o risco de não reverberar. 

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Essa reconfiguração é urgente em um mercado que empurra o profissional para a pejotização sem redes de apoio. O professor observa que, se o modelo industrial do passado contava com sindicatos para mediar as relações de trabalho, o cenário atual de microempreendedores demanda o resgate da atividade associativa e das cooperativas para estabelecer pontes mais justas. 
“Isso é especialmente importante para os PJs individuais, de modo que possam estabelecer relações em condições mais equilibradas, assegurando direitos equivalentes ou, pelo menos, proporcionais. O pressuposto associativo é essencial para reconfigurar e assegurar direitos imprescindíveis”, defende o professor. 

Quatro perguntas para 

Carlos Cardoso é gerente de negócios em rede do Sebrae-DF
Carlos Cardoso é gerente de negócios em rede do Sebrae-DF (foto: Sebrae-DF)
CARLOS CARDOSO É GERENTE DE NEGÓCIOS EM REDE DO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE-DF) 

Dados da Secretaria de Cultura mostram que menos de 25% dos agentes culturais ativos operam como pessoas jurídicas registradas. Quais são os principais obstáculos para o artista se formalizar e como a falta disso limita o acesso dele ao mercado privado? 
A formalização ainda é vista por muitos artistas como um processo burocrático ou incompatível com uma atividade criativa. Além disso, existe a percepção de que abrir um CNPJ significa apenas pagar impostos, quando, na prática, a formalização amplia significativamente as oportunidades de negócio e benefícios para o artista. 
Quando o artista se formaliza, ele passa a emitir notas fiscais, o que permite vender para empresas, participar de feiras, acessar crédito, contratar serviços financeiros e estabelecer parcerias comerciais. Também ganha mais condições de estruturar sua gestão financeira e profissionalizar a carreira? 
O papel do Sebrae é justamente mostrar esses benefícios e a importância de olhar para a atividade como um negócio. A formalização não muda a essência do trabalho autoral; ela amplia as possibilidades de transformar talento em um negócio sustentável. O Sebrae oferece orientações sobre formalização, gestão, finanças, marketing, precificação e planejamento para empreendedores da economia criativa. 
Muitos artistas locais dependem ciclicamente de editais públicos de fomento e financiamento coletivo. Como o Sebrae pode capacitar esse "artistaempresa" a desenhar modelos de negócios que gerem receita constante e sustentável? 
Os editais são importantes para fomentar a cultura, mas dificilmente devem ser a única fonte de receita de um negócio criativo. O grande desafio é construir um modelo que combine diferentes fontes de faturamento. 
As soluções ofertadas pelo Sebrae buscam levar esse olhar empreendedor, ajudando artistas a desenvolver estratégias de precificação, posicionamento de marca, acesso a mercados, vendas digitais, relacionamento com clientes e diversificação de receitas. 
No DF, o Sebrae também promove iniciativas de acesso a mercado e fortalecimento de cadeias da economia criativa, como programas voltados ao artesanato, design e produção autoral, buscando aumentar a competitividade desses empreendimentos e reduzir a dependência exclusiva de recursos públicos. 
Na era da inteligência artificial e da automação, o trabalho manual e o nicho autoral ganham força como diferenciais. Como o Sebrae projeta o potencial econômico e o crescimento desse mercado artesanal e único no DF? 
A inteligência artificial tende a automatizar processos e ampliar a produção em escala, mas ela não deve substituir atributos como identidade cultural, autenticidade, história e o fazer manual. Esses elementos se tornam, inclusive, um diferencial competitivo cada vez mais valorizado pelos consumidores. 
Brasília reúne uma produção muito rica em artesanato, design, artes visuais e outras expressões da economia criativa. O Sebrae enxerga um mercado com potencial de crescimento justamente porque existe uma demanda crescente por produtos únicos, sustentáveis e carregados de significado. 
Um exemplo é o Prêmio Brasília de Artesanato, que reconhece a excelência da produção local e incentiva inovação, identidade cultural e desenvolvimento empresarial dos artesãos. 
O Motim, feira colaborativa de arte impressa do DF e grande vitrine para os artistas da capital, já chegou a reunir 20 mil pessoas na Galeria dos Estados 

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