O Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra) apresenta na quarta-feira (29/7), às 10h30, um estudo inédito sobre desigualdades de renda, trabalho e escolaridade em Santa Catarina. A apresentação ocorre durante o 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as (Copene), realizado de 28 a 31 de julho no câmpus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB).
A pesquisa ganhou urgência após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional, por unanimidade, em abril deste ano, a Lei Estadual nº 19.722/2026. A norma proibia a adoção de cotas raciais em universidades públicas, privadas e comunitárias que recebem recursos do governo de Santa Catarina. A decisão teve como relator o ministro Gilmar Mendes.
Desigualdade estrutural
Coordenador do estudo e integrante do conselho deliberativo do Cedra, o professor de física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Marcelo Tragtenberg avalia que a desigualdade racial no estado é estrutural e persistente. Segundo o pesquisador, mesmo com avanços na escolarização, a população negra acumula barreiras de acesso à educação em todos os níveis, o que se reflete na renda e nas oportunidades de trabalho. Para Tragtenberg, reduzir ou eliminar políticas de ação afirmativa de recorte racial aprofunda um problema que está longe de ser superado.
A mesa do Cedra no congresso terá ainda a participação de Hélio Santos, presidente do conselho deliberativo da organização, da conselheira Wania Sant'anna e da diretora executiva Cristina Lopes. A atividade ocorre na sala Anfi 11 (BT 450), no ICC Norte da UnB.
O Copene é organizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB (Neab/UnB), pela Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN) e pelo Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (Conneabs). O tema desta edição é "Consciência Negra: contribuição do pensamento afrodiaspórico para a democracia brasileira".