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O que esperar da eleição da Mesa Diretora do Senado Federal em 2027?

As eleições de 2026 promoveram mudanças significativas na composição do Senado, destacando a redução de parlamentares do Centrão

 Leopoldina Lavor, Francisco Nominato, Maria Letícia Wend e Yasmin Tamburin — membros do Observatório do Congresso da Universidade de Brasília (UnB) 

A presidência do Senado Federal é um dos postos de maior poder institucional do sistema político brasileiro. Quem a ocupa controla a pauta do plenário, preside o Congresso Nacional, decide sobre quais pautas e por quem elas serão debatidas, além de poder assumir a Presidência do Brasil em caso de vacância do cargo. Por isso, a eleição da Mesa Diretora é também uma disputa sobre a agenda do biênio e sobre a relação entre os Poderes. 

A Mesa Diretora do Senado compõe-se de presidente, dois vice-presidentes e quatro secretários, com mandato de dois anos. Segundo o Regimento Interno (2025) da Casa, a eleição é feita em escrutínio secreto, exigindo-se a maioria dos votos, presente a maioria da composição da Casa. Com comparecimento integral, o limiar prático é de 41 votos. Um importante ponto do regimento é que a composição da Mesa deve assegurar, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos (art. 58, § 1º). Isso garante ao PL, como maior bancada a partir de 2027, prioridade na escolha dos demais postos, independentemente de quem presida a Casa.

Durante o biênio 2025-2026, o poder da presidência esteve concentrado com o senador Davi Alcolumbre (União-AP), que conseguiu adiar votações de projetos tidos como cruciais para o governo Lula (PT), como o PL do Redata, as PEC da Escala 6x1 e da Segurança Pública e a Medida Provisória do Frete. 

O que esperar para o biênio 2027-2028? No primeiro turno das eleições de 2026, o PL elegeu 19 senadores e terá 28 cadeiras a partir de fevereiro de 2027 (34,6% da Casa), a maior bancada individual registrada na história recente do Senado. Enquanto o PSD, partido que presidiu a Casa entre 2021 e 2025 com Rodrigo Pacheco, foi o principal perdedor, com a redução de 10 cadeiras.

A agregação em blocos revela um padrão de forma mais precisa. O chamado Centrão, formado por PP, Republicanos e União Brasil, mantém exatamente 17 cadeiras. A esquerda perdeu apenas duas cadeiras. A perda para a próxima legislatura concentra-se no centro tradicional, que encolhe de 31 para 17 cadeiras — ou seja, com uma redução de 45%. Tal diminuição pode sinalizar uma perda de influência eleitoral e de articulação política de figuras que se destacam nos corredores de Brasília, como Gilberto Kassab, presidente do PSD. 

A análise histórica dos presidentes do Senado na Nova República apresenta padrões que se destacam. O primeiro é que, em 26 anos, o partido do presidente da República jamais havia presidido o Senado, salvo na interinidade de Tião Viana (PT), em 2007. Governos do PT e o governo Bolsonaro (PSL/PL) conviveram com presidentes do PMDB (atual MDB), do DEM ou do PSD, aliados ou “neutros”. O segundo é que nenhum partido identificado com a direita ideológica havia ocupado o posto no período. 

A recondução à cadeira da presidência do Senado vem sendo algo comum na Casa. Desde 1985, o cargo foi ocupado somente por quatro siglas, sendo elas PMDB/MDB com 17 mandatos, PFL/União  com quatro, PSD com dois, e uma vez pelo PT, demonstrando uma concentração partidária no centro/centro-direita ideológicos. Desses mandatos, 15 diferentes parlamentares foram eleitos — entre eles, seis reeleitos, o que simboliza 40% de ocupação e centralização da articulação política do Congresso Nacional em figuras como José Sarney e Renan Calheiros, ambos do PMDB. A nova composição do Senado, que possui o PL como a maior bancada, pode sinalizar que a articulação e o debate parlamentar podem concentrar-se na extrema-direita ideológica do bolsonarismo. 

Nesta segunda-feira (5-10), em entrevista à CNN Brasil, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmou publicamente que pretende eleger o senador Rogério Marinho (PL/RN), também coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), como o próximo líder do Senado. A tendência é de que, com o aval do possível presidente Bolsonaro, a candidatura de Marinho ganhe tração e acabe com os últimos 20 anos consecutivos de presidências de centro.

Uma vitória de  Marinho (PL) romperia os padrões, sobretudo  no cenário com Flávio Bolsonaro (PL) eleito, em que o PL ocuparia a Presidência da República e a do Senado ao mesmo tempo. A queda do PSD e o encolhimento do MDB retiram do jogo os dois partidos que presidiram o Senado em 20 dos 22 biênios desde a redemocratização, uma taxa de 90,90% de ocupação do cargo. A cadeira nas mãos do PL ajudaria a agilizar os projetos defendidos pelo bolsonarismo, como a anistia para os envolvidos no 8 de janeiro de 2023 ou o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.


 

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