
Nas últimas duas semanas, o termo “como matar uma mulher sem deixar rastros” foi amplamente disseminado nas redes sociais. Publicações afirmavam que a expressão teria registrado 163 milhões de buscas no Google, principal mecanismo de pesquisa online.
A informação, no entanto, é falsa. Em nota ao Correio, o Google afirmou que os dados divulgados não são reais. “As publicações que atribuem dados de buscas relativas à violência de gênero não se baseiam em dados do Google”, informou a empresa.
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Segundo a companhia, seus sistemas utilizam mecanismos automatizados para identificar e organizar conteúdos disponíveis na internet. “Esses sistemas geram resultados de pesquisa que oferecem respostas úteis e confiáveis para bilhões de solicitações processadas diariamente”, diz a página oficial.
O Google também esclarece que, devido ao volume de conteúdos indexados — que inclui trilhões de páginas, imagens e vídeos —, os resultados podem eventualmente exibir materiais considerados inadequados. A empresa afirma manter mecanismos de proteção contra conteúdos impróprios.
“Os sistemas automatizados do Google contam com proteção contra conteúdo inadequado. Os resultados da pesquisa devem ser úteis, relevantes e limitar as respostas de spam. Podemos remover manualmente conteúdo que viole as políticas após análise caso a caso feita por especialistas treinados. Também podemos rebaixar um site quando identificamos grande volume de violações”, informa a companhia em sua página de política de pesquisa.
Origem da informação
De acordo com apuração do Correio, com suporte do Google, o dado de 163 milhões de buscas surgiu em um estudo publicado em 2020. No artigo, é mencionado que o termo “como bater em uma mulher sem que ninguém perceba” teria sido pesquisado de forma massiva.
Posteriormente, a própria autora reconheceu erro metodológico no trabalho. Conforme relatado pelo site Snopes, a pesquisadora afirmou ter confundido o número de resultados exibidos pelo Google com a quantidade de vezes que a frase teria sido pesquisada pelos usuários.
O estudo tinha como objetivo analisar o impacto das medidas de saúde pública adotadas durante a pandemia de Covid-19 sobre casos de violência doméstica e suicídio. A pesquisa comparou os períodos de março a agosto de 2019 com o mesmo intervalo de 2020, com foco nas buscas realizadas nos Estados Unidos.
Apesar da correção feita pela autora, em 2026 a informação voltou a circular no Brasil, divulgada por perfis ligados a direitos das mulheres, veículos alternativos e parlamentares. O dado, porém, não corresponde a registros oficiais da plataforma.

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