Outras medidas

EUA diz estar disposto a tomar 'outras medidas' sobre Irã

Os Estados Unidos voltaram a advertir que estão dispostos a tomar "outras medidas" se as negociações para salvar o acordo nuclear com o Irã fracassarem

Agence France-Presse
postado em 25/10/2021 15:09
 (crédito: Brendan Smialowski / AFP)
(crédito: Brendan Smialowski / AFP)

Os Estados Unidos voltaram a advertir nesta segunda-feira (25) que estão dispostos a tomar "outras medidas" se as negociações para salvar o acordo nuclear com o Irã fracassarem, mas sem fechar as portas para a diplomacia.

Após um giro de uma semana por Golfo Pérsico e Europa, o enviado dos Estados Unidos para o Irã, Rob Malley, ressaltou que tanto as nações europeias como as árabes do Golfo apoiam uma solução pacífica para acabar com o programa nuclear iraniano.

Contudo, ele reiterou que Washington tem "outras opções", uma advertência que já foi feita pelo secretário de Estado, Antony Blinken, no início deste mês, ao lado do ministro das Relações Exteriores de Israel, que ameaçou atacar a república islâmica.

"Continuaremos com a diplomacia, mesmo quando tomarmos outras medidas se nos depararmos com um mundo em que seja necessário fazer isso", disse Malley aos jornalistas.

O funcionário norte-americano acrescentou que o governo de Joe Biden continua acreditando que a questão envolvendo o programa nuclear iraniano só poderá ser solucionada de forma diplomática."As portas da diplomacia nunca serão fechadas", afirmou.

Contudo, Malley também reiterou que fica cada vez mais difícil salvar o acordo para evitar que o Irã adquira armas nucleares, o Plano de Ação Global Conjunta (JCPOA, na sigla em inglês),de 2015, enquanto o governo iraniano não decidir retomar as negociações, suspensas desde junho.

Segundo o funcionário americano, a "porta" para salvar o JCPOA "não permanecerá aberta para sempre".

Malley, no entanto, se recusou a estabelecer uma data limite para o fechamento dessa "porta", explicando que não se tratava de uma "conta cronológica", mas "tecnológica": "Em algum momento, o JCPOA deixará de fazer sentido, porque o Irã já terá feito progressos irreversíveis" em matéria nuclear, sentenciou.

Em 2018, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o país do acordo, dizendo que o mesmo era insuficiente, apesar de Teerã ter cumprido à risca o estipulado até aquele momento.

Depois disso, os Estados Unidos retomaram as sanções contra o Irã, que haviam sido suspensas com o acordo, e a República Islâmica começou a descumprir as restrições impostas a seu programa nuclear como represália.

O presidente Biden, por sua vez, disse que está disposto a voltar ao acordo, se o Irã também renovar seus compromissos,mas as negociações indiretas abertas em abril em Viena, na Áustria, estão paralisadas desde a eleição, em junho, do novo presidente iraniano, que é ambíguo em suas intenções e provoca impaciência entre as potências signatárias do JCPOA.


 

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