Estados Unidos

Biden promove plano de gastos 'histórico' para transformar os EUA

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, promoveu um plano de gastos "histórico" para reerguer a economia do país

Agence France-Presse
postado em 28/10/2021 19:30
 (crédito: Samuel Corum / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
(crédito: Samuel Corum / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, promoveu nesta quinta-feira (28) um plano de gastos "histórico" para reerguer a economia do país, enquanto tentou pressionar os críticos de seu próprio Partido Democrata a apoiarem o projeto de lei depois de meses de tortuosas negociações.


Biden confia seu legado na aprovação do pacote "Build Back Better" (Reconstruir melhor ou BBB), um conjunto de medidas de gastos sociais de 1,75 trilhão de dólares em busca de uma sociedade mais igualitária e mais verde e a joia da coroa de sua agenda de governo.


Antes de viajar para a Europa para participar da cúpula do G20 e da conferência climática da ONU, COP26, o presidente anunciou ter certeza de receber apoio legislativo a um marco revisto dos gastos, embora ainda seja preciso ver se os seus esforços amalgamaram as bases do partido.


"Sei que temos um marco econômico histórico", disse Biden em discurso à nação da Casa Branca, pouco depois de se reunir com líderes democratas no Congresso.


"É um marco que criará milhões de empregos, fará a economia crescer, investirá na nossa nação e no nosso povo, transformará a crise climática em uma oportunidade e nos colocará no caminho não só para competir, mas para ganhar a competição econômica para o século XXI contra a China e todos os demais países importantes do mundo", assegurou.


O BBB, que pode definir o mandato de Biden com reformas na educação, no atendimento médico, no cuidado infantil e na energia limpa, está vinculado a outro projeto ambicioso em discussão no Congresso de 1,2 trilhão de dólares em melhorias para rodovias, pontes e outras obras.


Nancy Pelosi, aliada-chave de Biden e presidente da Câmara de Representantes, disse a jornalistas que queria a votação sobre a infraestrutura no próximo domingo, 31 de outubro, quando acabam os recursos de muitos programas federais de transporte terrestre.

 

 "Grande visão" 


A votação foi atrasada várias vezes nas últimas seis semanas, já que os democratas mais radicais têm insistido em que não vão apoiar o projeto de lei de infraestrutura a menos que suas prioridades estejam incluídos no BBB.


Os democratas na ala à esquerda disseram que precisavam ver o texto final sobre o pacote social antes de se comprometer a votar no da infraestrutura, o que levou os líderes do partido a publicar o projeto de lei de 2.468 páginas.


Se for promulgado, o projeto proporcionaria educação pré-escolar universal para crianças de 3 e 4 anos, ampliaria a cobertura de atendimento médico com apoio do governo durante pelo menos quatro anos, e reduziria as emissões de gases de efeito estufa do país durante uma década.


No entanto, ficaram de fora do novo marco prioridades chave para os progressistas, como oferecer 12 semanas de licença paga por maternidade/paternidade, garantir estudos universitários comunitários gratuitos e reformar os elevadíssimos preços dos medicamentos com prescrição médica.


Pelosi descreveu a legislação como "transformadora e motivo de comemoração", ao mesmo tempo em que admitiu sua decepção pela licença familiar ter ficado de fora.


"É notável porque é uma grande visão, uma visão maior da que temos tido em muito tempo, talvez remonte ao presidente Franklin Roosevelt no New Deadl, e em alguns aspectos a Lyndon Johnson, que também tinha uma grande agenda", disse.


Joe Manchin e Krysten Sinema, dois senadores democratas conservadores que consideram o componente de gastos sociais alto demais, deram sinais positivos sobre a proposta de Biden, mas não se comprometeram a apoiar o marco anunciado.


Outra figura importante, o senador de esquerda Bernie Sanders, disse ter percebido "grandes lacunas" no plano.

 

 Confiança no apoio total 


Mas Biden instou seu partido a finalmente deixar de lado as divisões e se unir.


"Passamos horas e horas e horas durante meses e meses trabalhando nisto", lembrou Biden. "Ninguém conseguiu tudo o que queria, inclusive eu, mas isso é transigir. Isso é consenso e é isso que eu sigo".


Biden esperava obter uma votação no Congresso antes de viajar para Roma, para a cúpula do G20, e em seguida para a cúpula climática da ONU, em Glasgow.


Mas embora os democratas controlem as duas casas do Congresso, as margens são tão estreitas - de apenas um voto de vantagem no Senado e um punhado na Câmara baixa - que aprovar leis importantes é tortuoso.


Biden baixou o sarrafo em grande medida, reduzindo quase à metade seu plano original de gastos sociais de 3,5 trilhões de dólares.


Mas até mesmo o marco do gasto reduzido representaria uma importante vitória legislativa um ano depois de Biden derrotar Donald Trump com a promessa de curar a alma dos Estados Unidos.


Apesar do contínuo debate democrata, um alto funcionário da Casa Branca, falando sob a condição de anonimato, disse: "O presidente acredita que este marco terá o apoio dos 50 senadores democratas e será aprovado na Câmara".


"Vejo o marco como uma oportunidade para chegar ao objetivo final", declarou à MSNBC o senador democrata Bob Menéndez.

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