EUA

Começa julgamento por morte de dois manifestantes antirracistas em Kenosha

O jovem foi preso pouco depois e indiciado pelas mortes, mas acabou solto sob uma fiança de US$ 2 milhões

Agencia France Presse
postado em 01/11/2021 13:05 / atualizado em 01/11/2021 15:41
 (crédito: SCOTT OLSON / GETTY IMAGES AMÉRICA DO NORTE / Getty Images via AFP)
(crédito: SCOTT OLSON / GETTY IMAGES AMÉRICA DO NORTE / Getty Images via AFP)

Um delicado julgamento começou nesta segunda-feira (1º) nos Estados Unidos, em que um jovem branco é acusado de assassinato pela morte de duas pessoas durante manifestações antirracistas no verão boreal de 2020 (inverno no Brasil).

Então, com 17 anos, Kyle Rittenhouse se juntou a homens armados que se autodenominavam "grupos de autodefesa". Estes indivíduos diziam querer proteger a cidade de Kenosha, no norte dos Estados Unidos, em meio a multitudinários protestos contra o racismo, deflagrados após um tiroteio policial que deixou um homem negro paralítico.

Equipado com um fuzil semiautomático, ele abriu fogo em circunstâncias confusas, matando dois homens e ferindo um terceiro. Todas as vítimas são brancas.

O jovem foi preso pouco depois e indiciado pelas mortes. Acabou solto sob uma fiança de US$ 2 milhões. Se for considerado culpado, pode ser condenado à prisão perpétua.

Seu julgamento reflete a divisão na sociedade americana em relação às armas de fogo e ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

Este júri deverá ser "justo e imparcial" para chegar a uma "decisão racional" neste assunto "tão político" que foi acompanhado pelos jornais do país, destacou o juíz Bruce Schroeder, que preside o processo.

O tribunal, localizado no centro da cidade, onde se reuniram centas de manifestantes por vários dias no ano passado, está protegido por grandes medidas de segurança.

A estratégia esperada por parte dos promotores é retratar o réu como um extremista de direita que foi a Kenosha determinado a enfrentar os manifestantes antirracistas. Já seus advogados devem recorrer à tese de legítima defesa, garantindo que ele atirou para se proteger dos manifestantes que o perseguiam.

"Ele teria sido morto" 

Em 23 de agosto de 2020, Kenosha se levantou em protesto, depois que policiais brancos feriram gravemente o jovem negro Jacob Blake. Ele foi baleado nas costas durante uma tentativa de prisão.

Na terceira noite das manifestações, Rittenhouse, que havia publicado na Internet várias mensagens de apoio à polícia, percorreu cerca de 30 quilômetros para "patrulhar" a cidade.

Vários vídeos mostram seus movimentos. Em um deles, parece que o jovem foge, pouco antes de outro homem cair no chão com um tiro na cabeça. Em outra imagem, ele aparece sendo perseguido por um pequeno grupo de manifestantes. Ele então cai, sob a mira de sua própria arma. Ouve-se, claramente, o som de disparos.

"Suponho que estava em grandes apuros", depois que os manifestantes "atacaram-no violentamente", disse o então presidente Donald Trump, durante uma visita a Kenosha, em setembro do ano passado.

"Eles provavelmente teriam-no matado", completou. O juiz responsável pelo processo, Bruce Schroeder, prometeu manter a política fora do tribunal.

Atraiu críticas ao se recusar a permitir que os promotores se referissem aos mortos e feridos por Rittenhouse como "vítimas". Ao mesmo tempo, autorizou os advogados do réu a se referirem a eles como "desordeiros", "saqueadores", ou "incendiários", se conseguirem provar que estavam envolvidos nestes atos.

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