Pandemia

Propagação da covid-19 leva Europa a retomar medidas de restrição social

Portugal e França voltam a adotar máscaras em locais fechados. Alemanha enfrenta sobrecarga hospitalar. Bruxelas limita a validade do certificado de vacinação

Rodrigo Craveiro
postado em 26/11/2021 06:00
 (crédito: Ronny Hartmann/AFP)
(crédito: Ronny Hartmann/AFP)

A Europa corre contra o tempo para debelar uma quinta onda da pandemia da covid-19 que atinge, principalmente, a população não imunizada. A partir de quarta-feira, 1º de dezembro, Portugal entrará em situação de calamidade e passará a adotar uma série de restrições: o uso de máscaras será obrigatório em locais fechados; o acesso a restaurantes, hotéis, academias e eventos com locais marcados exigirá a apresentação do certificado digital de vacinação; e as visitas a asilos e hospitais somente serão autorizadas com um teste PCR negativo. O governo também encorajou o trabalho remoto. A República Tcheca, por sua vez, decretou, ontem, estado de emergência por 30 dias e fechou os mercados natalinos. Os hospitais do leste do país operam no limite da capacidade e começam a transferir pacientes. "A situação vai piorar nas próximas semanas, e espera-se um pico em torno do Natal", declarou o ministro da Saúde, Adam Vojtech. 

A França anunciou uma campanha de dose extra de vacinação para todos os maiores de 18 anos e passou a obrigar máscaras em qualquer local público. Os testes negativos para a covid-19 terão validade de no máximo 24 horas, ao invés de três dias. Com 1.095.297 casos da doença e 12.180 mortes, a Áustria — país de 8,9 milhões de habitantes — iniciou um novo confinamento, na última segunda-feira. Lojas, restaurantes, mercados de Natal, salas de espetáculo e salões de beleza fecharam as portas em Viena.

Birgit Kofler, porta-voz da Sociedade Austríaca para Anestesiologia, Ressuscitação e Medicina de Cuidados Intensivos (Ögari), disse à reportagem que apoia o endurecimento das medidas preventivas. "As próximas duas semanas mostrarão se isso será suficiente para controlar a propagação do Sars-CoV-2", afirmou. Segundo ela, o lockdown ajudará a evitar a superlotação das unidades de terapia intensiva. "Infelizmente, a Áustria está entre as nações europeias com taxa de imunização relativamente baixa. Sabemos que há uma relação entre o índice de imunização e a incidência da doença, especialmente em face da alta presença da variante delta."

Certificado

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), pretende estabelecer validade de nove meses do passaporte de vacinação, caso o cidadão não tenha recebido a dose extra. Ao superar 100 mil mortes pelo coronavírus e um índice recorde de 75.961 contágios em 24 horas, a Alemanha conta com 69% da população totalmente imunizada e sofre com "sobrecarga aguda" de hospitais em algumas regiões. O social-democrata Olaf Scholz, sucessor de Angela Merkel na chefia de governo, reconheceu a situação sanitária como "terrível". 

Para o professor de epidemiologia Tobias Kurth, diretor do Instituto de Saúde Pública da Charité Universidade de Medicina de Berlim, a maioria dos tomadores de decisão esperou tempo demais para reagir a um "aumento óbvio de infecções". "Como as pessoas precisam continuar a serem imunizadas com urgência, o único meio de romper as ondas contínuas da pandemia é um rígido lockdown por um curto período de tempo", admitiu ao Correio. 

Diretor do Público, um dos principais jornais de Portugal, Manuel Carvalho afirmou ao Correio que o país enfrenta uma quinta onda. "Há três dias, Portugal registra 240 casos por 100 mil habitantes. O número de infecções tem crescido todos os dias. A exigência de máscaras em espaços fechados ou de certificados de vacinação é uma medida muito pouco ousada ante o crescimento do contágio. Mas isso tem uma explicação: ao contrário das ondas anteriores, o número de novos casos não corresponde ao de hospitalizações", explicou. "O fato de Portugal ter vacinado 87% da população com as duas doses tem garantido que não vejamos um grande aumento nos casos graves da covid-19."

O retrato da crise sanitária

QUADRO

O retrato da crise sanitária

Alemanha

(Casos:5.595.674 / Mortes:100.123)

Com 75.961 novas infecções e 351 mortes em 24 horas, a Alemanhaultrapassou, ontem, a marca de 100 mil óbitos pela covid-19. A chanceler Angela Merkel pediu ao sucessor, Olaf Scholz, que adotenovas restrições sociais para conter a pandemia. O própria Scholz classificou a situação como "terrível". Algumas regiões do país enfrentam sobrecarga hospitalar.

Bélgica

(Casos: 1.659.025 / Mortes: 26.743)

Oprimeiro-ministro belga,Alexander De Croo, considera o aumento do número de infecções e de internações hospitalares como"maior que as curvas mais pessimistas". O gabinete do premiê deve se reunir, hoje, comos chefes das entidades federadas para decidir novas medidas.

Eslováquia 

(Casos: 1.105.970 / Mortes: 14.056)

Com uma das taxas de contágio mais altas do mundo, o país de 5,4 milhões de habitantes fechou todo o comércio não essencial. 

França

(Casos: 7.586.146 / Mortes: 119.686)

O governo de Emmanuel Macron anunciou uma campanha de vacinação de reforço para todas as pessoas com mais de 18 anos, cinco meses depois da última dose. Por enquanto, está descarta a implementação de novo confinamento ou toque de recolher,apesar do agravamento da pandemia.O uso de máscaras voltará a ser obrigatório em qualquer local público, e a validade dos testes negativos de covid-19 será de no máximo 24 horas, ao invés de 72 horas atualmente.

Portugal

(Casos:1.130.091 / Mortes: 18.370)

As autoridades decidiram reintroduzir a obrigatoridade do passaporte de vacinação para espaços públicos, incluindo bares, hotéis, restaurantes e academias. Mais uma vez, o uso de máscaras em ambientes fechados será compulsório.

República Tcheca

(Casos:2.044.018 / Mortes: 32.408)

O governo declarou estado de emergência por 30 dias, a partir de ontem, e fechou os mercados natalinos para tentar interromper a propagação da covid-19.

Suíça

(Casos:970.753 / Mortes: 11.435)

No próximo domingo, o Parlamento votará mudanças na legislação anticovid-19. Entre as alterações, está a introdução de um "certificado covid" reservado a pessoas vacinadas ou curadas.

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