Covid-19

Europa se fecha para evitar variante da covid-19 detectada na África do Sul

Uma nova variante do coronavírus detectada na África do Sul, aparentemente muito contagiosa, fez com que vários países europeus decidissem fechar as portas aos viajantes procedentes de vários Estados do sul da África

Agence France-Presse
postado em 26/11/2021 14:14
 (crédito:  Daniel Roberts/Pixabay)
(crédito: Daniel Roberts/Pixabay)

Uma nova variante do coronavírus detectada na África do Sul, aparentemente muito contagiosa, fez com que vários países europeus decidissem nesta sexta-feira (26) fechar as portas aos viajantes procedentes de vários Estados do sul da África, apesar da rejeição da Organização Mundial da Saúde (OMS) e horas antes do primeiro caso ser detectado na Bélgica.

O primeiro país a se blindar foi o Reino Unido, que anunciou na quinta-feira a proibição de entrada de pessoas procedentes de seis países da África: África do Sul, Namíbia, Lesoto, Zimbábue, Botsuana e Eswatini (ex-Suazilândia) a partir de hoje.

Nesta sexta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou no Twitter que vai propor "ativar o freio emergencial para interromper os voos procedentes da região do sul da África" durante uma reunião prevista para as próximas horas.

Mas vários países, como Alemanha, França e Itália, não esperaram a determinação de Bruxelas.

A variante B.1.1.529 tem um número "extremamente alto" de mutações e "podemos ver que tem um potencial muito alto de disseminação", disse o virologista brasileiro Túlio de Oliveira, baseado na África do Sul e diretor do KRISP, centro especializado no estudo do coronavírus.

A África do Sul registrou até agora 22 casos dessa variante, de acordo com o Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis. Casos também foram relatados na vizinha Botswana, Hong Kong e Israel.

 

 Primeiro caso da variante na Bélgica 

As medidas dos países europeus foram tomadas pouco antes da Bélgica detectar o primeiro caso da nova variante em seu território.

“Temos um caso confirmado dessa variante. É alguém que veio do exterior e testou positivo no dia 22 de novembro e não foi vacinado”, disse o ministro da Saúde belga, Frank Vandenbroucke, em coletiva de imprensa.

A OMS, que deve determinar nesta sexta-feira se a variante deve ser classificada como "preocupante", não apoia as restrições de viagens anunciadas pelos países europeus, conforme explicou seu porta-voz, Christian Lindmeier.

A organização desaconselha o fechamento das fronteiras por enquanto. “Deixe-me reiterar nossa posição oficial: a OMS recomenda que os países continuem aplicando uma abordagem científica e baseada no risco (...). Neste estágio, a aplicação de restrições a viagens não é recomendada”, insistiu Lindmeier.

Além disso, a OMS anunciou que levará "várias semanas" para entender melhor o "impacto" dessa variante e determinar sua virulência.

Mas o laboratório alemão BioNTech, parceiro da Pfizer, quis avisar nesta sexta-feira que, se necessário, pode "ajustar sua vacina em menos de seis semanas e entregar as primeiras doses em 100 dias".

Segundo seu porta-voz, a empresa espera ter os primeiros resultados dos estudos que vão determinar se a nova variante é capaz de escapar da proteção da vacina em no máximo "duas semanas".

A Agência Europeia de Medicamentos disse, entretanto, que é "prematuro" planejar a adaptação das vacinas à nova variante.

O coronavírus provocou mais de 5,16 milhões de mortes em todo o mundo desde sua detecção na China no final de 2019, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) considere que os números reais podem ser muito maiores.

A Europa, que já superou 1,5 milhão de mortos na pandemia, vive há semanas um preocupante aumento dos casos de covid-19.

Essa nova variante também fez com que as principais Bolsas europeias abrissem com quedas superiores a 3% e reduziu o preço do barril de petróleo.


 Novas restrições 

A notícia da nova variante complica o panorama da Europa, que se encontra novamente no olho do furacão da pandemia.

Nesta sexta-feira, o governo holandês planeja anunciar um endurecimento das restrições sanitárias, como o fechamento de bares e restaurantes às 17h00 locais e a polícia "se prepara" para novas manifestações e distúrbios.

O país, onde já está em vigor um confinamento parcial, viveu no fim de semana passado violentos protestos em diversas cidades, entre elas Roterdã e Haia.

Na Bélgica, o aumento dos casos e das hospitalizações vinculadas à covid é "maior que as previsões mais pessimistas", segundo o primeiro-ministro Alexander De Croo, cujo governo anunciou novas medidas nesta sexta-feira.

A partir de sábado, as boates devem fechar por três semanas. Além disso, as competições esportivas em recinto fechado voltarão a ocorrer sem público, os cafés e restaurantes terão de encerrar às 23h e os clientes terão de permanecer sentados, com um máximo de seis pessoas por mesa.

Na França, o governo também fez anúncios sanitários na quinta-feira, direcionados principalmente a acelerar a vacinação e a aumentar as precauções para evitar que o número de casos dispare.

 

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