Ucrânia

Ucrânia expressa preocupação com sinais 'perigosos' da Rússia em sua fronteira

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou preocupação diante dos sinais "perigosos" da Rússia

Agence France-Presse
postado em 26/11/2021 15:21
 (crédito:  AFP)
(crédito: AFP)

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou preocupação nesta sexta-feira (26) diante dos sinais "perigosos" da Rússia, acusada de enviar tropas para as proximidades da fronteira ucraniana, mas disse que a Ucrânia está "totalmente preparada" para uma possível escalada militar com Moscou.


Em uma longa entrevista coletiva, Zelensky denunciou a "retórica perigosa" da Rússia, que ele considera "o sinal ... de que uma escalada é possível".


Para Zelensky, a Rússia está procurando um pretexto para intervir militarmente na Ucrânia, citando como exemplos as críticas de Moscou ao envio de soldados da Otan para a Ucrânia e suas acusações de que Kiev boicotaria o processo de paz com os separatistas.


Desde 2014, o leste da Ucrânia tem sido palco de uma guerra entre Kiev e separatistas pró-russos que deixou 13.000 mortos, desencadeada logo após a anexação da península da Crimeia por Moscou.


Nas últimas semanas, os Estados Unidos, a Otan e a União Europeia manifestaram a sua preocupação com os movimentos das tropas russas nas proximidades da Ucrânia, o que os faz temer uma eventual invasão.


"Há uma ameaça hoje de que pode haver uma guerra amanhã", explicou Zelensky, acrescentando que o país "está totalmente preparado para uma escalada" com seu vizinho russo.


Devemos contar conosco mesmos, com nosso exército, que é forte", disse Zelensky, enquanto suas forças informaram um morto na linha de frente com os separatistas, no leste do país, nesta sexta-feira.


Os aliados da Ucrânia demonstraram seu apoio.


Um ataque russo na Ucrânia terá "consequências" para MOsocu, alertou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.


Os Estados Unidos "vigiam de perto" a situação e consultarão seus sócios "sobre a forma de desencorajar" uma eventual ação russa, declarou a vice-secretária de Estado dos EUA, Karen Donfried.


O primeiro-ministro britânico Boris Johnson e seu homólogo polonês Mateusz Morawiecki expressaram em Londres o "apoio inabalável" de seus países à Ucrânia, de acordo com um comunicado de Downing Street.

 "Golpe de Estado" 

Ele também pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, para "dizer publicamente" que não pretende invadir a Ucrânia, algo que seria "um sinal importante".


O chefe dos serviços de inteligência do exército ucraniano, Kyrylo Budanov, disse no domingo que a Rússia reuniu cerca de 92 mil soldados na fronteira com a Ucrânia, em preparação para uma ofensiva que pode ocorrer no final de janeiro ou início de fevereiro.


Budanov explicou ao Military Times que esta ofensiva poderia envolver ataques aéreos e de artilharia contra a cidade de Mariupol, além de uma incursão ao norte por Belarus.


Moscou nega qualquer plano neste sentido e acusa Kiev e os ocidentais de agravarem as tensões.


Além disso, Zelenski afirmou nesta sexta-feira que recebeu informações sobre um projeto de "golpe de Estado" previsto para o início de dezembro, que envolveria "algumas pessoas da Rússia" e um oligarca ucraniano, Renat Ajmetov, que rapidamente classificou essa alegação como "mentira".


Contudo, Zelenski disse que não acredita nesse golpe de Estado. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, ao ser questionado a respeito, declarou que "a Rússia não faz esse tipo de coisa".


Além da anexação da Crimeia, a Rússia é acusada de entregar armas e pessoal aos separatistas, o que Moscou nega e considera, em vez disso, que são a Ucrânia, a Otan e o Ocidente que agravam a situação com suas manobras militares.


Em abril, já havia tensões devido ao destacamento de milhares de soldados russos na fronteira com a Ucrânia em resposta às manobras militares da Otan.


"A situação não é pior que a da primavera, o número de militares (russos) é menor", considerou, porém, Zelenski nesta sexta-feira.


Sobrecarregados pelo conflito em 2014, os militares ucranianos apresentam hoje uma imagem melhor, graças à experiência de combate adquirida e equipamentos aprimorados com a ajuda de seus aliados ocidentais, como munições americanas, navios e dispositivos antitanque.


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