PANDEMIA

Nova frente de ação: EUA autorizam pílula da Pfizer contra a covid-19

O medicamento será destinado, a princípio, para pacientes de alto risco maiores de 12 anos

Correio Braziliense
postado em 23/12/2021 06:00
 (crédito:  Getty Images via AFP)
(crédito: Getty Images via AFP)

Em mais uma frente de combate à covid-19, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) aprovou, ontem, o uso do comprimido desenvolvido contra a doença pela Pfizer. Trata-se de um passo importante na luta contra a pandemia, destacam especialistas. "Essa aprovação proporciona uma nova ferramenta para lutar contra a covid-19 em um momento crítico da pandemia, no qual estão surgindo novas variantes", assinalou a cientista da FDA Patrizia Cavazzoni, em um comunicado.

Trata-se do primeiro tratamento contra a covid-19 em forma de pílula, ingerida por via oral, liberado nos Estados Unidos. Poderão usar o fármaco da pacientes de alto risco maiores de 12 anos. A FDA enfatizou que o tratamento deve complementar e não substituir as vacinas, que continuam sendo a ferramenta de primeira linha no combate ao coronavírus.

"Essa terapia revolucionária, que tem demonstrado reduzir significativamente as hospitalizações e mortes e pode ser tomada em casa, mudará a forma como tratamos a covid-19 e, com sorte, ajudará a reduzir algumas das pressões significativas que nossos sistemas hospitalares e de atendimento médico enfrentam", destacou, em nota, o diretor-executivo da Pfizer, Albert Bourla.

Combinação

O tratamento da Pfizer, chamado Paxlovid, resulta da combinação de duas drogas — nirmatrelvir, um medicamento experimental, e o ritonavir, um antiviral já existente, usado contra o HIV. Consiste na ingestão de 30 comprimidos em um período de cinco dias.

Diferentemente das vacinas, a pílula anticovid não atua na proteína spike do coronavírus, que está em constante evolução e é usada pelo vírus para invadir as células.

Os Estados Unidos acertaram a compra de 10 milhões de tratamentos no valor de aproximadamente US$ 5,3 bilhões. A entrega começa ainda este ano e, segundo a Pfizer, deve ser concluída no ano que vem.

Um teste clínico com 2,2 mil pessoas demonstrou, segundo a Pfizer, que a terapia é segura e reduz em 88% as hospitalizações e mortes em pessoas de risco se tomado nos primeiros cinco dias após o aparecimento dos sintomas.

Na análise pela FDA, chamou a atenção a dispensa do habitual painel de especialistas independentes para revisar em profundidade os dados relacionados à pílula antes da análise final. Ainda se espera a autorização de outro comprimido contra a doença, desenvolvido pela farmacêutica Merck, que já recebeu sinal verde no Reino Unido e Dinamarca.

Máscaras

Com o avanço acelerado da variante ômicron, que já domina os países europeus, governos adotam mais medidas restritivas. Após dois dias consecutivos de recorde de casos de covid-19, com mais de 60 mil contágios, a Espanha determinou que a população volte a usar máscara em ambientes externos, seis meses após suspendido a exigência.

O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, disse que haverá exceções: a prática de esportes e estar sozinho — ou com pessoas de convívio — em espaços naturais, como montanhas ou praias. Ele assinalou que a medida, recebida com resistência no país em que mais de 80% da população está vacinada, é "temporária" e que será suspensa "assim que possível".

Também foi registrado, ontem, recorde de contágios no Reino Unido: 106.122 novos diagnósticos de coronavírus, segundo o balanço diário das autoridades de saúde. O premiê Boris Johnson, diante do aumento vertiginoso de casos, alertou que "não hesitaria" em adotar restrições do que apenas o uso de máscaras e a recomendação ao teletrabalho, atualmente vigentes, mas optou por adiar essa decisão.

Por enquanto, o governo anunciou a redução de 10 para sete dias o período de quarentena na Inglaterra para as pessoas vacinadas que tenham contraído o coronavírus.

Em Genebra, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus,  voltou a combater a ideia de que é possível transpor a pandemia com doses de reforço contra o coronavírus.  "Esses programas de reforço indiscriminados, inclusive, poderiam prolongar a pandemia em vez de acabar com ela, ao desviar as doses disponíveis para países com altas taxas de vacinação, fornecendo ao vírus mais possibilidades de se propagar e sofrer mutações", advertiu, acrescentando: "É importante lembrar que a grande maioria das hospitalizações e mortes é de pessoas não vacinadas". 

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