Rússia X Ucrânia

Trigo, alumínio e titânio: matérias-primas estratégicas no conflito entre Ucrânia e Rússia

Após a invasão russa da Ucrânia, o preço de muitas dessas commodities explodiu, atingindo níveis sem precedentes

Agence France-Presse
postado em 24/02/2022 18:02
 (crédito: Aris Messinis / AFP)
(crédito: Aris Messinis / AFP)

Trigo, girassol, titânio, alumínio e níquel: Rússia e Ucrânia são países-chave no fornecimento global de matérias-primas estratégicas, seja para uso industrial ou alimentício.

Após a invasão russa da Ucrânia, o preço de muitas dessas commodities explodiu, atingindo níveis sem precedentes.

Gás e petróleo

A Rússia é um dos principais produtores mundiais de gás e petróleo, e os investidores estão preocupados com possíveis cortes no fornecimento de hidrocarbonetos.

Um barril de petróleo, seja o Brent do Mar do Norte ou do WTI americano, atingiu os níveis de 2014 na quinta-feira (24), acima da barreira simbólica de 100 dólares.

"Se houver uma interrupção parcial das entregas de petróleo russo, o restante dos grandes países produtores só poderia compensar até certo ponto", alerta Carsten Fritsch, analista do banco alemão Commerzbank.

Produtos agrícolas: o Mediterrâneo depende do Mar Negro

Ambos os países são o "celeiro de grãos" do mundo. Desde 2018, a Rússia é o principal exportador mundial de trigo, “crucial” para alimentar o planeta. Mas os analistas estavam mais preocupados na quinta-feira com a capacidade de exportação da Ucrânia.

Na Europa, o preço do trigo atingiu um nível sem precedentes: 344 euros por tonelada.

A Ucrânia, que também é o quarto maior exportador de milho do mundo, poderia se tornar o terceiro maior exportador de trigo, atrás da Rússia e dos Estados Unidos.

"As autoridades russas proíbem a navegação no mar de Azov, os portos de exportação estão fechados e Odessa foi bombardeada, o que significa que os cereais ucranianos não podem deixar o país", explica à AFP Philippe Chalmin, economista coordenador do guia anual Cyclope para o mercado mundial de matérias-primas.

No entanto, Chalmin cita a consultoria Ukr-AgroConsult para afirmar que restam "500 mil toneladas de trigo e 1,7 milhão de toneladas de milho" ucranianos prontos para exportação.

“Além do problema de acesso aos portos, há também o risco de danos às lavouras ucranianas se houver combates terrestres”, acrescenta a consultoria Capital Economics em uma nota.

O abastecimento de países do Oriente Médio, África (como Egito, Argélia) depende cada vez mais do trigo russo e ucraniano, "portanto, pode haver um problema se os navios que transportam o trigo estiverem parados no Mar Negro", alerta Philippe Chotteau, gerente econômico do Instituto Pecuário, em Paris. "Espero que exista", disse ele à AFP.

Para o gabinete especializado Agritel, “o maior risco é o óleo de girassol”.

A Ucrânia é conhecida por seus enormes campos de girassol, que a tornam a maior exportadora mundial de grãos e do óleo.

No entanto, "a situação do mercado mundial do óleo é muito tensa. Há poucos estoques de óleo de soja na América Latina e de óleo de palma na Indonésia e na Malásia, e a demanda é muito forte", explica Sebastien Poncelet, especialista da Agritel.

Metais: automóveis e aeronáutica entre os mais afetados

Os metais industriais "mais expostos" a sanções da comunidade internacional contra a Rússia seriam alumínio, níquel e paládio, segundo a Capital Economics.

O grupo russo Rusal é o segundo maior produtor industrial de alumínio do mundo. Nesta quinta-feira, o preço do metal atingiu um recorde histórico no mercado LME, de Londres: 3.382,50 dólares por tonelada.

Quanto ao níquel, o magnata Vladimir Potanin dirige a russa Nornickel Norilsk. A Rússia foi o terceiro maior produtor de minério de níquel em 2019, atrás da Indonésia e das Filipinas, mas é o segundo, atrás apenas da China, em níquel refinado.

Segundo estimativas da Capital Economics, após a invasão militar, 7% do mercado mundial de níquel refinado "poderia ser afetado" por possíveis sanções contra a Rússia. Esse metal, cujo preço atualmente bate recordes de mercado, é um dos mais demandados pelas fábricas de baterias elétricas, o que deveria permitir que a indústria automobilística abandonasse o petróleo.

O setor automobilístico também seria muito afetado por sua dependência do paládio, do qual a Rússia controla 50% do mercado mundial e que é usado para fabricar catalisadores.

O titânio, metal muito procurado pelos fabricantes de aeronaves por sua leveza e alta resistência, é afetado indiretamente pelo conflito. A empresa russa VSMPO-Avisma, fundada em 1941 nos montes Urais, é o principal fornecedor mundial da aeronáutica, segundo o diretor-geral da fabricante francesa de motores Safran, Olivier Andries, que, no entanto, afirma ter "vários meses de estoque".

 

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