Eleições na França

Macron diz que oponente da extrema-direita tem programa de governo racista

No encerramento da campanha, presidente acusa Marine Le Pen, da extrema-direita, de mentir e de defender a saída da Europa. Adversária rebate republicano e tenta projetar imagem de tranquilidade para o país

Correio Braziliense
postado em 09/04/2022 06:00
 (crédito: Ludovic Marin/AFP)
(crédito: Ludovic Marin/AFP)

No último dia de campanha, o presidente da França, Emmanuel Macron, saiu às ruas e partiu para o ataque contra Marine Le Pen, candidata do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional. "Marine Le Pen mente para as pessoas", afirmou o chefe de Estado e membro do partido República em Marcha. Amanhã, Macron começará uma batalha pela reeleição, no primeiro turno das presidenciais francesas. As mais recentes pesquisas mostram uma disputa apertada, que ganha em dramaticidade ante a previsão de um índice de abstenção que deve chegar a 30 pontos percentuais.

Segundo o jornal Le Figaro, os institutos de pesquisa Elabe, OpinionWay e Ifop Fiducial dão a Macron 26% dos votos, enquanto o Ipsos Sopra Steria traz 26,5%. Por sua vez, uma sondagem da Harris Interactive mostra o presidente com 27% das intenções de voto. Marine Le Pen teria 25%, de acordo com o instituto Elabe — apenas um ponto percentual atrás de Macron. Os institutos de pesquisa OpinionWay, Ipsos e Ifop Fiducial indicam que a candidata do Agrupamento Nacional terá, respectivamente, 22%, 23% e 24% dos votos.

Macron afirmou que os fundamentos de Le Pen — filha de Jean-Marie Le Pen, ex-candidato da Frente Nacional — não mudaram. "Seu programa é racista. (...) É um programa de saída da Europa, embora ela não o diga claramente", advertiu. Marine Le Pen evitou o embate com o atual ocupante do Palácio do Eliseu. "Uma competição eleitoral é um confronto de ideias, não é uma batalha", respondeu, durante visita a um mercado em Narbona (sul).

Incertezas

Le Pen, lider do Agrupamento Nacional, se firmou na reta final como candidata a ser derrotada. Seu rival de extrema-direita, Éric Zemmour, cujo discurso radical a ajudou a parecer moderada e acabou por prejudicá-lo, também a atacou, dizendo que ela "sonha" em se aliar à esquerda.

A França parece destinada a repetir o duelo Macron-Le Pen de 2017, mas o resultado parece mais incerto em um país que, nos últimos cinco anos, vivenciou protestos sociais, uma pandemia e teme os efeitos, no bolso, da invasão russa à Ucrânia. Diante desse possível duelo, os outros candidatos começam a se posicionar, inclusive antes do primeiro turno. A socialista Anne Hidalgo, o comunista Fabien Roussel e o ambientalista Yannick Jadot anunciaram que tentarão impedir a vitória da extrema-direita, na figura de Le Pen, no segundo turno.

Mas a tradicional "frente republicana" não será suficiente para isolar Le Pen no segundo turno, explicou à agência France-Presse o diretor da Fundação Jean-Jaurès, Gilles Finchelstein, para quem esse sistema está desgastado, embora não tenha desaparecido. Símbolo dessa mudança, a candidata do partido de direita que já esteve no poder, a liberal Valérie Pécresse (Os Republicanos), garantiu que não fará uma recomendação de voto após o primeiro turno porque "os franceses são livres", embora vá revelar em quem vai votar.

Nas últimas horas da campanha, os 12 candidatos jogam suas últimas cartas para mobilizar os eleitores, principalmente quando apenas 69% afirmam que votarão com certeza. Destes, um em cada três ainda tem dúvidas em quem votar, segundo pesquisa da Ipsos-Cevipof.

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