Tragédia

Três palestinos morrem em confrontos com soldados israelenses em Jenin

O exército israelense informou em nota que realizou uma operação em Jenin em busca de armas em dois lugares diferentes

Agência France-Presse
postado em 17/06/2022 10:58
 (crédito: JAAFAR ASHTIYEH / AFP)
(crédito: JAAFAR ASHTIYEH / AFP)

Jenin, Territórios palestinos- Três palestinos armados morreram e outros dez ficaram feridos em enfrentamentos nesta sexta-feira (17/6) com soldados israelenses em Jenin, norte da Cisjordânia.

Segundo a agência oficial palestina Wafa, os soldados abriram fogo contra o veículo que transportava os três homens, que tinham cerca de 20 anos.

Eles foram identificados como Kamal Lahluh, Yusef Nasser Salah e Laith Salah Abu Srur. Dois deles perderam irmãos em confrontos com o exército israelense em Jenin no passado, segundo autoridades locais.

Um fotógrafo da AFP viu os corpos das três vítimas no necrotério e um veículo branco com marcas de tiros.

A Wafa informou ainda que 10 palestinos ficaram feridos nas operações desta sexta-feita neste território palestino ocupado por Israel.

O exército israelense informou em nota que realizou uma operação em Jenin em busca de armas em dois lugares diferentes.

De acordo com o texto, os soldados foram alvejados quando chegaram ao primeiro local e abriram fogo. No segundo local, identificaram um veículo suspeito na beira da estrada.

"Os ocupantes do veículo começaram a atirar nos soldados que responderam", disse o Exército, que afirma ter encontrado armas, incluindo dois fuzis de assalto M-16 e cartuchos no local.

- Investigação sobre jornalista morta -


O exército israelense multiplicou nas últimas semanas as operações em Yenin e arredores, uma região conhecida por ser um bastião de facções armadas palestinas de onde procedem os autores dos ataques recentes a Israel.

No mês passado, durante uma destas operações, a jornalista palestino-americana Shireen Abu Akleh, uma das mais conhecidas da rede Al-Jazeera, levou um tiro mortal.

A Autoridade Palestina, a Al-Jazeera e o Catar, onde fica a sede da emissora, acusaram o exército israelense de matar a jornalista. Diferentes investigações reforçam essa hipótese.

Israel, que em princípio afirmou que a jornalista --que usava um colete à prova de balas identificado como "imprensa" e um capacete quando morreu-- recebeu um tiro palestino, admitiu mais tarde que a possibilidade de ter sido atingida por Israel não pode ser excluída.

O exército ainda não divulgou as conclusões de sua investigação interna. Na quinta-feira, a policia israelense anunciou que concluiu sua apuração sobre o funeral de Shireen Abu Akleh, sem detalhes.

Milhares de palestinos se reuniram no velório e enterro da repórter em Jerusalém, cercado por um forte aparato policial criticado pela comunidade internacional.

O porta-voz do departamento de Estado americano, Ned Price, afirmou que seu país aguarda mais informações sobre a investigação do funeral.

"Geralmente, as conclusões destas investigações são divulgadas", disse. O presidente americano Joe Biden deve ir a Israel e Cisjordânia em meados de julho.

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