PRE-CANDIDATO

Juiz de Nova York multa Trump em US$ 355 milhões por fraude fiscal

Donald Trump, que busca retornar à Casa Branca nas eleições de novembro, e dois de seus filhos - Donald Trump Jr. e Eric Trump - compareceram a um longo processo civil de outubro a janeiro

Donald Trump pretende retornar à presidência dos EUA nas eleições deste ano -  (crédito: ANGELA WEISS / AFP)
Donald Trump pretende retornar à presidência dos EUA nas eleições deste ano - (crédito: ANGELA WEISS / AFP)
postado em 17/02/2024 16:13

Um juiz de Nova York anunciou nesta sexta-feira (16) uma multa ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump de quase US$ 355 milhões e o proibiu de administrar seus negócios por três anos, de acordo com a sentença.

"O Tribunal proíbe Donald Trump de atuar como funcionário ou diretor de qualquer corporação de Nova York ou outra entidade legal em Nova York por um período de três anos," escreveu o juiz Arthur Engoron em sua decisão, ordenando que o magnata republicano, seus filhos e a empresa familiar, o conglomerado Trump Organization, paguem uma multa de US$ 354.868.768 (aproximadamente R$ 1,765 bilhão, na cotação atual).

Donald Trump, que busca retornar à Casa Branca nas eleições de novembro, e dois de seus filhos - Donald Trump Jr. e Eric Trump - compareceram a um longo processo civil de outubro a janeiro, acusados de inflar o valor dos ativos da Trump Organization.

"Sua total falta de contrição e remorso chega a ser patológica. Eles só são acusados de inflar o valor dos ativos para ganhar mais dinheiro", disse o juiz Engoron em sua sentença, na qual afirma que "os acusados são incapazes de admitir seu erro". "Em vez disso, adotam uma postura de 'não ver o mal, não ouvir o mal, não falar o mal' que as provas desmentem", acrescentou.

Com esta sentença, o "tribunal pretende proteger a integridade do mercado financeiro e, portanto, o público em geral", afirmou o juiz.

- 'Vitória enorme' -

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, disse que a decisão representa "uma vitória enorme para todos aqueles que acreditam que todos somos obrigados a jogar sob as mesmas regras, incluindo os ex-presidentes".

"Não importa o quão grande, rico ou poderoso você pensa que é, ninguém está acima da lei", acrescentou a procuradora, a quem Trump chama repetidamente de "corrupta" e "racista".

Letitia apresentou essa ação civil em 2022, alegando fraude financeira contra os membros da família Trump por inflarem o valor do seu império imobiliário durante a década de 2010 a fim de obter dos bancos empréstimos mais favoráveis e melhores condições de seguro.

Alguns ativos, como a Trump Tower, localizada na famosa 5ª Avenida de Manhattan, são emblemáticos do sucesso do empresário que entrou na política graças à imagem de construtor imobiliário e apresentador de reality show de sucesso.

O juiz Engoron considerou que Letitia apresentou "provas conclusivas de que, entre 2014 e 2021, os acusados inflaram os ativos" do grupo em "de US$ 812 milhões [R$ 4 bilhões] a US$ 2,2 bilhões [R$ 10,9 bilhões]", dependendo do ano.

"Iremos apelar", anunciou Trump em sua residência em Mar-a-Lago, citando "uma instrumentalização contra um adversário político".

Em sua rede social, Truth Social, o republicano repetiu que se trata de "uma interferência eleitoral e uma caça às bruxas" destinada a evitar o seu retorno à Casa Branca. Durante o processo, descreveu o julgamento como "digno de uma república das bananas".

Nos próximos meses, Trump terá que se sentar no banco dos réus para responder a 91 acusações criminais, em Washington, Flórida, Geórgia e Nova York.

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