CORRIDA À CASA BRANCA

Trump e Biden terão um novo embate eleitoral em novembro

Desistência de Nikki Haley deixa o caminho livre para o magnata republicano enfrentar o líder democrata em novembro

 Former US President and 2024 presidential hopeful Donald Trump arrives to speak during a Super Tuesday election night watch party at Mar-a-Lago Club in Palm Beach, Florida, on March 5, 2024. (Photo by CHANDAN KHANNA / AFP)
       -  (crédito: AFP)
Former US President and 2024 presidential hopeful Donald Trump arrives to speak during a Super Tuesday election night watch party at Mar-a-Lago Club in Palm Beach, Florida, on March 5, 2024. (Photo by CHANDAN KHANNA / AFP) - (crédito: AFP)
postado em 07/03/2024 04:00

Com a derrota avassaladora nas primárias republicanas e a desistência de tentar disputar a Casa Branca, Nikki Haley, 52 anos, abriu caminho para uma revanche das eleições de 2020, com Donald Trump, 77, enfrentando o democrata Joe Biden, 81, nas urnas. O ex-presidente venceu em 14 dos 15 estados em disputa, na chamada Superterça, fazendo com que Haley se retirasse do páreo.

Enquanto Biden e Trump correm atrás dos eleitores da ex-embaixadora na ONU, que só venceu em Vermont, Nikki Haley deixou claro que não apoiará o correligionário na disputa contra o candidato democrata. "Agora é responsabilidade de Donald Trump ganhar os votos daqueles que, no nosso partido e fora dele, não o apoiam, e espero que ele o faça", disse, em um discurso transmitido pela televisão em Charleston, na Carolina do Sul, estado do qual foi governadora.

Apesar das derrotas em quase todas as primárias ocorridas desde o começo do ano, Haley insistia que tinha mais chances de vencer Biden, em novembro, do que Donald Trump. A disputa com o magnata republicano foi marcada por ataques mútuos, mas a verdade é que seus programas de governo não têm muita diferença, exceto no caso da Ucrânia, que a ex-candidata pretendia seguir apoiando Kiev, ao mesmo tempo em que Trump diz querer mediar o conflito com Moscou.

Ex-parceiros

Nikki Haley foi nomeada por Trump em 2017 para o prestigioso posto de embaixadora nas Nações Unidas, mesmo com a falta de experiência internacional da republicana. Apesar de terem trabalhado juntos no passado, Haley critica o bilionáro por conspirar com "ditadores" de outros países e se distanciar de aliados históricos dos Estados Unidos. "Nosso mundo está em chamas devido à retirada norte-americana" ao nível internacional, reafirmou ontem. "Se nos retirarmos ainda mais, haverá ainda mais guerras, não menos", acrescentou, em referência ao discurso isolacionista de seu adversário.

Enquanto Nikki Haley se retira de cena, Trump não esconde o entusiasmo com a vitória de terça. "Uma noite e um dia incríveis", resumiu o ex-presidente. "Tem sido um período incrível na história do nosso país", afirmou a simpatizantes reunidos em sua mansão de Mar-a-Lago, na Flórida. "Obrigado — MAGA!", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social, usando o acrônimo do lema trumpista "Make America Great Again" (Façam os EUA grandes novamente).

A Câmara dos Representantes, quando tinha maioria democrata, acusou Trump de ter incentivado uma insurreição. Ele foi absolvido pelo Senado, mas enfrenta 91 acusações por crimes graves. Isso não impede que tenha grande apelo com eleitores da classe trabalhadora, brancos e de zonas rurais. Desde 15 de janeiro, e apesar de seus problemas legais, o ex-presidente venceu quase todas as primárias do partido.

Apoio

Em um comunicado divulgado por sua equipe de campanha, o presidente Joe Biden acusou o rival de estar "decidido a destruir nossa democracia". Além de retirar liberdades fundamentais, como a tomada de decisão das mulheres sobre seus cuidados médicos, o democrata afirmou que Trump pretende aprovar outra rodada de bilhões de dólares em cortes de impostos para os mais ricos. "Ele fará ou dirá qualquer coisa para chegar ao poder", afirmou.

Em outra nota, o líder democrata pediu fundos aos apoiadores. "Trump está arrasando nas primárias republicanas da Superterça em todo o país. Seremos nós mesmos contra toda a direita trumpista nessas eleições. Preciso de sua ajuda", afirmou o chefe da Casa Branca.

Como era esperado, Biden venceu as primárias da Superterça em todos os estados, com exceção de um território: Samoa Americana, um arquipélago do Pacífico, onde ele foi derrotado por um empresário praticamente desconhecido. Jason Palmer recebeu 51 votos, contra 40 de Biden no local. Hoje, o presidente teve outra grande noite: defenderá sua visão para os Estados Unidos no tradicional discurso "Estado da União", ao Congresso.

Tags

Gostou da matéria? Escolha como acompanhar as principais notícias do Correio:
Ícone do whatsapp
Ícone do telegram

Dê a sua opinião! O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores pelo e-mail sredat.df@dabr.com.br

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação