Palestina

Imagens mostram soldados atirando em palestinos rendidos; Israel investiga

Mais de mil palestinos foram mortos por militares e colonos israelenses na Cisjordânia desde o ataque do Hamas em outubro de 2023

O Exército israelense afirmou nesta quinta-feira (27) que investiga um "incidente" depois que suas tropas foram filmadas em Jenin, na Cisjordânia ocupada, atirando em dois homens com os braços erguidos, em sinal de rendição.

A Autoridade Palestina informou sobre a morte de dois homens, de 26 e 37 anos, abatidos por tiros israelenses em Jenin e mais tarde acusou as forças israelenses de cometer um "crime de guerra", afirmando que se tratou de brutais execuções sumárias.

Os mortos foram identificados como Montaser Bilah Mahmud Abdulah e Yusef Ali Asasa.

O exército informou que as tropas realizavam uma operação ao sul de Jenin, localidade conhecida por ser um bastião de grupos armados, quando cercaram dois suspeitos acusados de "atividades terroristas".

Os homens foram obrigados a sair do edifício cercado após horas mantendo um "processo de rendição".

"Depois que saíram, os suspeitos foram alvejados. O incidente está sendo investigado", afirma o comunicado das forças israelenses.

As imagens divulgadas por canais de televisão israelenses mostram forças israelenses atirando contra dois homens com as mãos erguidas, em sinal de rendição. Um jornalista da AFP no local filmou parte do incidente.

O movimento islamista palestino Hamas denunciou uma "execução a sangue-frio", em um comunicado.

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967 e a Autoridade Palestina exerce autonomia limitada nesse território.

O ministro israelense da Segurança Interna, Itamar Ben Gvir, expressou seu total apoio aos soldados e policiais envolvidos na operação.

O político de extrema direita, pertencente ao partido ultradireitista Poder Judaico, afirmou no X que as tropas "agiram exatamente como se espera" e acrescentou: "Os terroristas devem morrer!".

O jornal de esquerda israelense Haaretz informou, citando uma fonte da guarda de fronteira, subordinada à polícia, que uma investigação preliminar mencionou que um dos homens que estava no chão tentou se levantar e fez um "movimento suspeito", o que levou militares e policiais a atirar.

A Autoridade Palestina afirmou que os corpos permanecem retidos por Israel.

A violência tem se intensificado na Cisjordânia desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023.

Desde essa data, mais de mil palestinos — entre eles numerosos combatentes, mas também muitos civis — morreram pelas mãos de soldados ou colonos israelenses, segundo um levantamento da AFP baseado em dados da Autoridade Palestina.

Ao mesmo tempo, de acordo com números israelenses, ao menos 44 cidadãos — entre civis e soldados — morreram em ataques palestinos ou durante incursões militares israelenses.

A violência na Cisjordânia não cessou desde a entrada em vigor de uma trégua em Gaza, em 10 de outubro.

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