
Manifestantes ocuparam nesta quinta-feira (8) uma avenida importante de Teerã, no 12º dia de um movimento de protesto contra o governo que resultou em um corte do acesso à internet, segundo uma ONG.
As manifestações começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes da capital organizaram um protesto contra o aumento de preços e o colapso da moeda local, o rial, o que gerou uma onda de ações semelhantes em outras cidades.
O movimento se estendeu para 25 das 31 províncias iranianas, segundo um balanço da AFP com base em declarações oficiais e veículos locais, e deixou dezenas de mortos, entre eles membros das forças de segurança. Imprensa e comunicados oficiais relatam 21 pessoas mortas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou agir contra as autoridades iranianas se a repressão aumentar. "Indiquei a eles que, se começarem a matar pessoas [...] nós os atingiremos muito duramente", declarou Trump, em entrevista ao apresentador de rádio Hugh Hewitt.
- Leia também: Com 17 milhões de habitantes, Teerã sofre crise hídrica sem precedentes e pode ser evacuada
A pé ou de carro, manifestantes saíram em passeata em uma avenida importante de Teerã, segundo vídeos publicados nas redes sociais, cuja autenticidade foi comprovada pela AFP. Redes de TV em persa radicadas fora do Irã e outros veículos divulgaram imagens de grandes protestos em cidades como Tabriz e Mashhad.
Ainda não se sabe o número de mortos no movimento de protesto. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, 45 manifestantes, entre eles oito menores, morreram nas passeatas. Ontem foi o dia mais sangrento, com 13 mortos, destacou a IHR, que indicou que centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 2 mil foram detidas.
Segundo um levantamento feito pela AFP com base em informações divulgadas pela imprensa iraniana e por autoridades, o balanço seria de 21 mortos, incluindo membros das forças de segurança.
Corte da internet
O Irã está "submetido atualmente a um corte da internet em escala nacional", publicou no X a ONG de vigilância da segurança cibernética Netblocks, que se baseou em "dados em tempo real" e citou "uma série de medidas de censura digital [...] contra as manifestações".
Vídeos cuja autenticidade foi comprovada pela AFP mostravam os manifestantes gritando lemas como "É a batalha final, Pahlavi voltará!" (em referência à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979) e "Seyyed Ali será destituído" (referindo-se ao líder supremo, Ali Khamenei, no poder desde 1989).
O presidente iraniano Masud Pezeshkian voltou a pedir "moderação máxima" em face dos manifestantes, bem como um "diálogo" e que "se ouça as reivindicações do povo".
Um policial iraniano morreu hoje a oeste de Teerã, quando tentava "controlar os distúrbios", informou a agência de notícias Fars.
O movimento se estendeu a universidades, e os exames finais em uma das principais instituições de Teerã, a universidade Amir Kabir, foram adiados por uma semana, segundo a agência de notícias Isna.
- Leia também: Protestos contra governo no Irã se espalham por mais de metade das províncias do país, segundo análise da BBC
Inicialmente ligadas ao custo de vida, as manifestações são as maiores no Irã desde as que ocorreram após a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente ter violado as normas de vestuário para mulheres, em 2022.

Mundo
Mundo