
Uma deputada da oposição de Honduras ficou ferida após ataque com explosivos na parte externa do Congresso Nacional, em Tegucigalpa, capital do país. Gladis Aurora López, do Partido Nacional de Honduras (PNH), conversava com a imprensa quando o dispositivo lançado à distância explodiu perto dela. A parlamentar sofreu ferimentos no pescoço, orelha e nas costas, mas não corre risco de vida.
O ataque acontece após um período eleitoral conturbado, com a vitória de Nasry "Tito" Asfura, do PNH. Candidato conservador, é apoiado pelo presidente Donald Trump. O processo de apuração dos votos terminou um mês depois da eleição, sob denúncias de fraude e interferência estadunidense.
Segundo a oposição, o ataque foi de autoria de militantes do Partido Libertad y Refundación (PLR), também conhecido como LIBRE, sigla da atual presidente Xiomara Castro. Em comunicado, o PNH atribuiu os atos de violência a incitações feitas pelo presidente do congresso, Luís Redondo, que teria, segundo o partido, chegado ao cargo de maneira ilegal. “Condenamos de maneiras firme e categórica qualquer ato vandálico e terrorista que atente contra a integridade física e moral dos representantes do povo hondurenho”, diz o texto.
“Esse ataque poderia ter afetado qualquer deputado, sem distinção de partido”, afirma. O comunicado expressou solidariedade à Gladis e declarou que o ato afeta não só à parlamentar, mas ameaça a democracia do país. O PNH solicitou ainda uma investigação “imediata e exaustiva” para identificar os autores “material e intelectual” do atentado.
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Nas redes sociais, o deputado Luís Redondo afirmou que “não serão tolerados atos de violência nas dependências do Legislativo ou contra qualquer membro do Poder Legislativo”. Ele afirma ainda que orientou a segurança do Congresso na revisão das câmeras para identificar o autor. Comentários na postagem chamam o parlamentar de “terrorista” e afirmam que ele teria responsabilidade no ataque.
Crise política
Honduras acaba de passar por um período de eleições presidenciais conturbadas. Com o pleito no fim de novembro, a apuração foi concluída apenas um mês depois, a poucas horas para o fim do prazo legal.
Em 24 de dezembro, o candidato conservador Nasry Asfura, apoiado por Trump, foi declarado vencedor da corrida presidencial. O representante do PNH teve 40,27% dos votos, contra 39,39% do candidato do Partido Liberal de Honduras (PLH), Salvador Nasralla, candidato que se declara como de centro. O processo, no entanto, finalizou apenas em 31 de dezembro, após Narsalla pedir a recontagem dos votos horas antes do fim do prazo.
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O candidato sustenta que houve uma série de irregularidades no trâmite. Segundo a defesa, algumas urnas não foram contabilizadas enquanto, em outras zonas, os votos de Asfura foram “inflados”.
Mas essa não é a primeira acusação. A situação de Honduras remonta a 2009, quando o presidente Manuel Zelaya foi sequestrado em um golpe militar. Após o sequestro, o país passou por governos dos opositores Porfirio Lobo e Juan Orlando Hernández, que estava preso nos Estados Unidos condenado por narcotráfico. Na época, as eleições foram acusadas de fraudes e interferência dos EUA.
O país é atualmente governado por Xiomara Castro, representante do LIBRE e esposa do presidente deposto Manuel Zelaya. Nas últimas semanas, a mandatária convocou mobilizações populares contra uma suposta tentativa de golpe por Juan Orlando. “Com base em informações de inteligência verificadas, Juan Orlando Hernández, indultado nos EUA, planeja entrar no país para se proclamar vencedor das eleições, enquanto uma agressão destinada a romper a ordem constitucional e democrática por meio de um golpe contra o meu governo está em curso.”, escreveu. Ele foi solto após receber indulto do presidente Donald Trump na mesma datas das eleições hondurenhas.

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