ESTADOS UNIDOS

Brasileira presa por duplo homicídio diz que plano era romance com chefe

Juliana Peres Magalhães depôs nesta quinta-feira (15/1) contra o ex-amante Brendan Banfield, com quem tramou a morte da ex-patroa

As autoridades afirmaram que Juliana Peres Magalhães, à esquerda, e Brandon Banfield mantinham um relacionamento amoroso. -  (crédito: WUSA TV)
As autoridades afirmaram que Juliana Peres Magalhães, à esquerda, e Brandon Banfield mantinham um relacionamento amoroso. - (crédito: WUSA TV)

A ex-au pair brasileira Juliana Peres Magalhães, 23 anos, presa em 2023 nos Estados Unidos por suspeita no envolvimento de um duplo homicídio armado com o ex-amante, Brendan Banfield, afirmou em tribunal, nesta quinta-feira (15/1), que decidiu colaborar com a Justiça norte-americana para que "a verdade viesse à tona", além de afirmar que o chefe tramou a morte da mulher para viver um romance com ela. As informações são do canal CBS News.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

O depoimento de Juliana foi peça-chave no julgamento de Brendan, que era agente do FBI, acusado de assassinar a mulher, Christine Banfield, 37, e Joseph Ryan, 39, em um plano para simular legítima defesa. Eles teriam pensado em álibis e nas versões que dariam sobre o crime antes de cometê-lo.

Segundo a acusação, o homem enfrenta homicídio qualificado pelas duas mortes ocorridas na residência da família, no norte da Virgínia. Ele se declarou inocente e, caso seja condenado, pode receber pena de prisão perpétua.

De acordo com o testemunho de Juliana, ela permaneceu mais de um ano sem procurar as autoridades após os crimes. A mudança de postura teria ocorrido dias antes de seu próprio julgamento, quando decidiu relatar detalhes do esquema que, segundo os promotores, vinha sendo planejado havia meses. Inicialmente acusada de homicídio em segundo grau pela morte de Ryan, a ex-babá acabou se declarando culpada por homicídio culposo, uma acusação mais branda. 

Em juízo, Juliana afirmou que ela e Banfield atraíram Joseph Ryan para a casa por meio de uma conta criada em nome de Christine Banfield em uma plataforma de mídia social voltada a fetiches sexuais. A partir desse perfil, Ryan teria sido convidado para um encontro sexual que envolveria o uso de uma faca para realizar uma "fantasia de estupro". Para a promotoria, o plano previa matar Ryan e encenar a situação como se ele fosse um invasor violento. 

Ela ainda relatou que, no momento do crime, se escondeu atrás da cama, cobrindo os olhos e os ouvidos, enquanto Brendan Banfield esfaqueava repetidamente a mulher. Em depoimento emocionado, afirmou que passou a conviver com sentimentos de vergonha, culpa e tristeza, o que a motivou a romper o silêncio.

Cartas escritas por ela na prisão também foram lidas em plenário. Nos textos, ela relatava depressão, isolamento e fragilidade emocional. Segundo a própria ex-babá, as condições de saúde e a distância da família contribuíram para sua decisão de cooperar com as autoridades.

Durante o depoimento, Banfield, vestido com terno cinza e gravata listrada, acompanhou atentamente a fala da ex-amante e chegou a demonstrar emoção em outros momentos do julgamento, como ao ouvir a gravação da ligação feita ao serviço de emergência no dia da morte da mulher.

No telefonema feito após o crime, a brasileira ligou para a polícia informando que a chefe estava sangrando porque tinha sido esfaqueada por um homem. Brendan pegou o telefone durante a ligação, se apresentou como agente do FBI e disse que tinha matado o suspeito de esfaquear a mulher. 

Além das acusações de homicídio, Brendan Banfield também responde por abuso infantil e crueldade infantil qualificada, já que sua filha, então com quatro anos, estava na casa na manhã dos assassinatos. Essas acusações também serão analisadas no julgamento.

Registros apresentados pela promotoria em um julgamento de 2024 indicam que, meses antes do crime, Brendan e Juliana frequentaram um estande de tiro, e que o réu comprou posteriormente a arma utilizada para matar Joseph Ryan. A mãe da vítima, Deirdre Fisher, afirmou que o filho já havia comentado sobre jogos de interpretação consensuais, mas ressaltou que ele não era violento. Ela relatou, emocionada, o impacto de receber a notícia da morte. "Lembro-me de quando recebi a ligação do detetive...eu conseguia ouvir minha própria voz gritando. Era quase como se estivesse fora do meu corpo ouvindo que ele havia sido morto."

Apesar da versão apresentada pelo Ministério Público, um ex-perito forense digital da polícia local afirmou anteriormente que encontrou indícios de que Christine Banfield teria se comunicado diretamente com Ryan pela plataforma online, tese contestada pela acusação. A defesa sustenta que a investigação foi conduzida a partir de uma teoria prévia, e não de fatos objetivos.

Juliana Peres Magalhães deverá ser sentenciada apenas após o encerramento do julgamento de Brendan Banfield. Dependendo do nível de cooperação reconhecido pela Justiça, ela poderá receber uma pena equivalente ao tempo já cumprido.

  • Google Discover Icon
postado em 15/01/2026 16:07
x