
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou neste domingo (15/2) que os Estados Unidos não estão pedindo que a Europa seja um "vassalo", durante uma visita à Eslováquia e à Hungria, dois países aliados de Donald Trump.
Em Munique, durante um discurso proferido no sábado na Conferência de Segurança, Rubio instou os europeus a se alinharem à visão do presidente americano sobre a ordem mundial, ao mesmo tempo em que defendeu a revitalização das relações com uma Europa "forte".
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Rubio buscou tranquilizar seus aliados e declarou neste domingo: "Não estamos pedindo que a Europa seja um vassalo dos Estados Unidos". "Queremos ser seu parceiro. Queremos trabalhar com a Europa. Queremos trabalhar com nossos aliados", afirmou.
Dada a tensão gerada por suas declarações, Rubio já havia declarado no sábado que os Estados Unidos desejam uma "aliança revitalizada" com a Europa.
Neste domingo, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, criticou as declarações dos EUA que desabonam o bloco e elogiou a mudança de tom de Rubio em Munique, antes do encerramento da Conferência de Segurança.
"Toda vez que ouço a região ser desabonada, algo que está muito na moda agora, penso em tudo o que a Europa nos deu", disse ela. "Ao contrário do que alguns dizem, a Europa não é decadente nem 'woke', nem sua civilização está ameaçada", afirmou Kallas, aludindo às críticas do presidente Trump, que acredita que a região, assim como os Estados Unidos, está ameaçada pela imigração em massa.
Rubio fez uma breve visita de apenas algumas horas à Eslováquia para se encontrar com o primeiro-ministro Robert Fico, que compartilha a mesma ideologia nacionalista do presidente americano.
Durante uma visita recente à Flórida, Fico teria expressado preocupação com o estado mental do presidente americano, segundo o Politico, que citou diplomatas europeus anônimos. No entanto, Washington e Bratislava negaram categoricamente essa informação.
Após o encontro na Flórida, o líder eslovaco afirmou ter tido conversas "extremamente importantes" com Trump sobre energia nuclear.
Um dos principais temas da agenda foi a Ucrânia, já que a Eslováquia faz fronteira com o país devastado pela guerra.
O primeiro-ministro Fico elogiou a "abordagem" de Trump para o conflito, mas declarou não acreditar que será resolvido em um "futuro próximo".
Rubio disse que aprecia essas declarações e enfatizou que "o papel dos Estados Unidos é tentar facilitar o fim de uma guerra muito mortal, muito sangrenta, extremamente custosa e que implica em um sofrimento horrível".
Encontro com Orban
O secretário de Estado americano viajará então para Budapeste, onde planeja se encontrar com o primeiro-ministro Viktor Orban na segunda-feira.
Trump não esconde seu apoio ao líder nacionalista húngaro, a quem chama de "homem forte e poderoso", às vésperas das eleições parlamentares marcadas para 12 de abril.
Orban enfrenta seu maior desafio desde que retornou ao poder em 2010, e seu partido, Fidesz, está atrás do opositor Tisza nas pesquisas.
O primeiro-ministro húngaro também declarou sua intenção de viajar a Washington na próxima semana para participar da reunião inaugural do chamado "Conselho da Paz", promovido por Trump.
Orban é muito próximo do governo Trump devido às suas políticas de imigração desde a crise dos refugiados sírios, há uma década.
A diplomacia da energia
Durante a visita de Orban à Casa Branca no ano passado, a Hungria também recebeu uma isenção das sanções americanas às importações de petróleo e gás russos.
O antecessor de Trump, o democrata Joe Biden, manteve uma relação muito mais tensa com Orban, a quem acusou de "caminhar rumo à ditadura", particularmente por silenciar a mídia independente e fazer campanha contra os direitos LGBTQ+.
Tanto a Eslováquia quanto a Hungria são países da Europa Central sem litoral, com laços estreitos com a Rússia e que permanecem dependentes de combustíveis fósseis russos, apesar das sanções decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Os dois países europeus estão em uma disputa de poder com a União Europeia sobre sua política de eliminação gradual das importações de gás russo, uma oportunidade que os Estados Unidos esperam explorar para fortalecer os laços.

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