
Um bebê nasceu saudável em Londres após a mãe, Grace Bell, passar por um transplante de útero, procedimento ainda experimental no Reino Unido. O caso é o primeiro no país em que uma mulher dá à luz depois de receber o órgão de uma doadora morta.
Grace nasceu sem útero, condição que afeta cerca de uma em cada 5 mil mulheres no Reino Unido e impede a gestação. O transplante foi realizado em 2023, no Hospital Queen Charlotte’s and Chelsea, como parte do Estudo Investigativo do Reino Unido sobre Transplante de Útero (Insitu), aprovado pelas autoridades de saúde e financiado pela instituição beneficente Womb Transplant UK. A pesquisa prevê 10 transplantes com úteros de doadoras mortas, e o de Grace foi o primeiro a resultar em nascimento bem-sucedido.
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A cirurgia durou cerca de sete horas. Diferentemente de órgãos como rins e fígado, o útero não integra o cadastro convencional de doadores do NHS, o sistema público de saúde britânico. Por isso, todos os casos exigem consentimento da família da doadora, além da autorização padrão para doação de órgãos.
Neste caso, os familiares da doadora aceitaram participar do estudo após já terem concordado com a doação de outros órgãos. Em nota ao G1, os pais afirmaram sentir "imenso orgulho pelo legado" deixado pela filha.
Após a recuperação do transplante, Grace passou por fertilização in vitro e transferência de embrião em uma clínica especializada em Londres. A gestação foi acompanhada por uma equipe multidisciplinar até o parto, ocorrido em dezembro de 2025, sem complicações. O bebê, chamado Hugo, nasceu saudável.
Segundo Richard Smith, que co-lidera o programa britânico de transplante de útero, acompanhar o nascimento foi a concretização de décadas de estudo e do esforço conjunto de pesquisadores e da família envolvida. "Foi simplesmente maravilhoso estar presente no parto e ver o bebê Hugo chegar ao mundo, depois do percurso que fizemos com esta família e dos muitos anos de investigação que nos trouxeram até aqui", disse.
A cirurgiã Isabel Quiroga, também à frente do estudo, explica que o caso amplia horizontes para mulheres que nasceram sem útero ou perderam o órgão ao longo da vida. "Este é um marco importantíssimo, que dá mais esperança às mulheres que não têm útero e desejam formar uma família. Este é o único tratamento que lhes permite gestar e dar à luz o próprio filho, oferecendo mais uma opção além da adoção ou da barriga de aluguel", afirmou.

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