Saúde Sexual

Ereção é sinal de saúde? Bilionário da longevidade aposta que sim

Na tentativa de recuperar um corpo equivalente ao de um jovem de 18 anos, Bryan Johnson defende que a frequência e a qualidade das ereções noturnas revelam o real estado de saúde e envelhecimento do organismo

Conhecido por levar a busca pela longevidade a níveis extremos, o bilionário norte-americano Bryan Johnson, de 48 anos, reacendeu uma discussão pouco convencional: a saúde sexual como indicador direto da expectativa de vida. À frente do projeto que batizou de Don’t die (não morra, em tradução livre), ele sustenta que acompanhar a frequência e a qualidade das ereções noturnas é essencial para avaliar o envelhecimento do corpo. 

Segundo Johnson, a ausência desses episódios pode aumentar em até 70% o risco de morte precoce. Na tentativa de atingir parâmetros físicos semelhantes aos de um jovem de 18 anos, ele recorre a uma combinação de estimulantes sexuais, aplicações de botox e terapias com ondas de choque.

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Apesar do discurso e das práticas do biohacker soarem extremas, existem fundamentos científicos por trás do argumento central. A função erétil depende diretamente da saúde dos vasos sanguíneos, e as artérias do pênis tendem a apresentar sinais de obstrução antes do coração. Por isso, dificuldades persistentes de ereção costumam funcionar como um alerta precoce de problemas cardiovasculares, frequentemente anos antes de infartos ou outros eventos graves.

A sexualidade também reflete o funcionamento do sistema nervoso e o equilíbrio hormonal. Doenças crônicas como diabetes, esclerose múltipla e até condições neurodegenerativas, como o Alzheimer, podem se manifestar inicialmente por alterações na vida sexual. Em entrevista ao jornal New York Post, o médico Ryan Welter acrescenta outro ponto ao debate: a satisfação sexual está ligada à sensação de bem-estar e felicidade, fatores considerados pilares importantes para uma vida longa e saudável.

A obsessão de Bryan pelo tema ganhou repercussão negativa no ano passado, quando ele divulgou publicamente dados que monitoravam as próprias ereções noturnas e as de seu filho, Talmage, então com 19 anos. O empresário publicou capturas de tela de um dispositivo de rastreamento, revelando informações como número de ereções, duração média, qualidade e eficiência do sono. "A duração dele é dois minutos maior que a minha", escreveu Johnson em uma postagem na rede social X (antigo Twitter). “Crie filhos para ficarem de pé, firmes e eretos.”

O assunto é recorrente nas entrevistas do magnata. Em 2023, ele afirmou à revista Time: “Tenho, em média, duas horas e 12 minutos por noite de ereção de certa qualidade”. Segundo Johnson, ele e o filho usam todas as noites um dispositivo acoplado ao pênis para monitorar esses dados. O norte-americano disse ainda acreditar que precisaria atingir cerca de três horas e meia de ereção para equiparar sua virilidade à de um jovem de 18 anos.

Para sustentar sua rotina antienvelhecimento, Johnson afirma gastar cerca de US$ 2 milhões por ano (aproximadamente R$ 10,4 milhões) e mantém uma equipe com dezenas de profissionais de diferentes áreas, reunidos no que ele chama de Operação Blueprint.

Entre as intervenções mais controversas está um procedimento realizado em maio de 2023, que envolveu não apenas Johnson, mas também seu filho e seu pai, Richard, de 70 anos. O empresário descreveu a experiência como “a primeira troca de plasma multigeracional do mundo”. Durante o processo, os três tiveram cerca de um litro de sangue retirado para a separação de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas e plasma. Dois meses depois, no entanto, Johnson abandonou a prática, alegando que não observou nenhum benefício.

 

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