Em meio ao ressurgimento do caso Epstein, o ex-príncipe Andrew acabou se exilando nesta semana longe de Windsor, sem conseguir, com isso, escapar das suspeitas que se acumulam ao seu redor.
O jornal The Sun foi o primeiro meio a revelar, na terça-feira (3), a saída na noite anterior do irmão de Charles III de sua luxuosa residência no Royal Lodge, perto do castelo de Windsor, a oeste de Londres.
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Em outubro, após uma nova série de revelações constrangedoras ligadas ao pedófilo americano Jeffrey Epstein, o monarca havia tomado a decisão histórica de retirar de Andrew seus títulos reais.
Além disso, ordenou que o irmão mais novo deixasse a mansão, onde vivia havia mais de 20 anos - em troca de um aluguel irrisório - com a ex-esposa Sarah Ferguson, para se reinstalar em uma propriedade real em Sandringham, no nordeste da Inglaterra.
O imóvel de Sandringham pertence ao rei, diferentemente de Windsor, administrado de forma independente por um organismo do qual o Estado recupera a maior parte das receitas.
Mas, segundo fontes citadas pela imprensa britânica, os acontecimentos se aceleraram, já que o rei estaria "cada vez mais preocupado" com o grau de envolvimento do irmão nesse escândalo.
Bailarinas exóticas
O Palácio de Buckingham não confirmou nem comentou imediatamente essa evolução, mas as informações que emergiram dos milhões de páginas do dossiê Epstein publicadas na sexta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos apenas alimentaram as suspeitas que pesam sobre Andrew.
Entre os documentos surgiram fotos sem data nas quais Andrew aparece ajoelhado e inclinado sobre uma jovem cujo rosto está censurado, além de e-mails convidando o criminoso sexual a Buckingham para conversar em "particular".
Andrew já havia sido acusado por Virginia Giuffre de agressões sexuais quando ela era menor de idade. A principal testemunha de acusação do caso Epstein se suicidou em abril passado.
Uma segunda mulher afirmou, por meio de seu advogado, que o financista americano a enviou ao Reino Unido em 2010 para manter relações sexuais com Andrew no Royal Lodge.
A polícia local indicou na terça-feira que iria "examinar essas informações", mas que até agora não havia sido contactada nem por essa mulher nem por seu advogado.
Na quarta-feira, uma carta de um advogado surgiu nos documentos da Justiça americana, relatando uma noite com "bailarinas exóticas" em Palm Beach, nos Estados Unidos, no início de 2006, durante a qual Epstein teria apresentado uma delas, representada por um advogado, a Andrew.
Os dois homens teriam proposto manter relações sexuais ao mesmo tempo.
A jovem teria se recusado, mas a vontade dos dois homens teria "prevalecido", afirma o advogado na carta, acrescentando que ela recebeu dinheiro posteriormente, embora menos do que havia sido prometido inicialmente por dançar.
"Uma questão de consciência"
Andrew, que sempre negou qualquer comportamento ilegal, não fez nenhuma declaração desde a publicação dos últimos documentos. O ex-príncipe foi visto por fotógrafos na segunda-feira, passeando a cavalo pelo parque de Windsor.
Apesar da tradicional reserva do governo em relação à família real, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, avaliou que Andrew deveria depor perante o Congresso americano sobre o que sabe a respeito dos crimes do financista.
Segundo fontes da realeza citadas pelo Daily Mail, o palácio considera que depor é agora "uma questão de consciência" para o irmão de Charles III.
Sua ex-esposa, Sarah Ferguson, com quem Andrew manteve uma relação próxima, também vê sua imagem prejudicada pelos documentos publicados nos últimos dias.
"Obrigada, Jeffrey, por ser o irmão com o qual sempre sonhei", escreveu a ex-duquesa de York a Epstein em um e-mail de 2009.
Alguns meses depois, explicou ao financista que tinha "urgente necessidade de 20.000 libras", cerca de R$ 65 mil na cotação da época, para pagar seu aluguel.
"Não tenho realmente palavras para descrever meu amor e minha gratidão por sua generosidade e sua bondade", escreveu em janeiro de 2010. "Estou a seu serviço. Case-se comigo", acrescentou.
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