REINO UNIDO

De herói das Malvinas à prisão histórica: a trajetória do ex-príncipe Andrew

Terceiro filho da rainha Elizabeth II, Andrew Mountbatten-Windsor foi preso nesta quinta-feira (19) sob suspeita de má conduta em cargo público e envolvimento no caso de Jeffrey Epstein

O ex-príncipe Andrew, também conhecido como Andrew Mountbatten-Windsor, foi preso nesta quinta-feira (19/2) sob suspeita de má conduta no exercício de função pública. A detenção ocorre após anos de denúncias de abuso sexual e a ligação com o financista norte-americano Jeffrey Epstein, morto em 2019. Segundo o jornal britânico The Guardian, esta é a primeira vez, na história moderna, que um integrante do alto escalão da família real britânica é preso.

Nascido em 19 de fevereiro de 1960, no Palácio de Buckingham, Andrew é o terceiro filho da rainha Elisabeth II e do príncipe Philip. Durante décadas, foi visto como um dos membros mais carismáticos da realeza e chegou a ser considerado o "filho preferido" da monarca. Hoje, aos 66 anos, ocupa a oitava posição na linha de sucessão ao trono britânico, atrás do príncipe William e seus três filhos, George, Charlotte e Louis, e do príncipe Harry e seus dois filhos, Archie e Lilibet.

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A prisão de Andrew é considerada histórica. A última vez que um rei britânico foi detido ocorreu no século 17, quando Charles I foi capturado em 1647, durante a Guerra Civil inglesa, julgado por traição e executado dois anos depois. 

Andrew também construiu carreira na Marinha Real Britânica e serviu ativamente na Guerra das Malvinas, em 1982, como piloto de helicóptero. À época, foi tratado como herói nacional por participar do conflito contra a Argentina.

Em 1986, casou-se com Sarah Ferguson e recebeu o título de duque de York. O casal teve duas filhas, as princesas Beatrice e Eugenie. O casamento terminou em divórcio nos anos 1990, mas ambos mantiveram relação próxima ao longo dos anos.

Após deixar a carreira militar, Andrew assumiu o posto de representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, função que exerceu entre 2001 e 2011. No cargo, atuava na promoção de investimentos estrangeiros no país, mas passou a ser criticado por gastos considerados excessivos e por relações com empresários.

Caso Epstein

Em 2019, vieram a público as acusações da americana Virginia Giuffre. Ela afirmou ter sido forçada a manter relações sexuais com Andrew quando tinha 17 anos, sob intermediação de Jeffrey Epstein. Segundo o relato, os encontros teriam ocorrido em três ocasiões, em 2001. O ex-príncipe sempre negou as acusações.

Em 2021, Giuffre entrou com um processo civil nos Estados Unidos. O caso foi encerrado em fevereiro de 2022 com um acordo financeiro cujo valor não foi divulgado, sem admissão formal de culpa por parte de Andrew. Outras mulheres também relataram, por meio de advogados, supostos episódios de abuso envolvendo o ex-príncipe e Epstein.

Virginia Roberts - Andrew e Virginia Giuffre, quando ela tinha 17 anos

No mesmo ano, Andrew concedeu uma entrevista à BBC na tentativa de se defender. No entanto, a aparição foi duramente criticada por falta de empatia com as vítimas, o que acabou agravando sua situação pública. Pouco depois, ele anunciou o afastamento das funções oficiais.

Com o avanço das investigações, Andrew perdeu títulos militares, honrarias e funções públicas ligadas à Coroa. Também deixou de usar formalmente o tratamento de “Sua Alteza Real” em compromissos oficiais. Mesmo assim, seu nome permanece na linha de sucessão, conforme informações do site oficial da família real.

E-mails divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicaram que Andrew poderia ter compartilhado informações potencialmente confidenciais com Epstein enquanto atuava como representante comercial. As suspeitas motivaram investigações no Reino Unido e resultaram na prisão anunciada nesta quinta-feira.

O atual rei, Charles III, já havia sinalizado que estava disposto a colaborar com as autoridades caso fosse solicitado. Em nota, um porta-voz do monarca afirmou que o rei demonstrou “profunda preocupação” com as acusações envolvendo o irmão.

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html 

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