Caso Epstein

Vítimas do pedófilo Jeffrey Epstein celebram detenção de Andrew

Duas mulheres abusadas sexualmente pelo financista americano Jeffrey Epstein afirmam que interrogatório de Andrew pode levar à responsabilização de abusadores e recrutadores de garotas contratados pelo traficante sexual

Ashley Ford Rubright tinha 15 anos quando foi abusada sexualmente por Jeffrey Epstein. "Só estive com ele por duas vezes — na segunda, o abuso se intensificou. Eu sabia que não poderia retornar ou as coisas ficariam piores. Sarah Kellen e o próprio Jeffrey ligaram várias vezes ao longo de um mês para me convencer a voltar ou a levar outra garota", contou ao Correio. Depois de inventar que estava grávida, a aliciadora e o traficante sexual a deixaram em paz. Com a detenção de Andrew, ela espera responsabilização de integrantes da rede do pedófilo. "Estou extremamente feliz em ouvir sobre a prisão. Acordei com essa notícia maravilhosa. Eu acredito sem dúvida alguma, que Andrew participou dos abusos e do tráfico de garotas. Mas, sigo muito decepcionada com os Estados Unidos, pelo ativo e contínuo acobertamento do caso", desabafou.

A brasileira Marina Lacerda, 37 anos, foi aliciada e abusada sexualmente por Epstein dos 14 aos 17. "Acho que a detenção de Andrew é um passo em direção a muito mais punição por crimes. O Reino Unido tem demonstrado algo que falta aos EUA: a responsabilização. Temos que solicitar a outros países para que também tomem providências em relação às acusações presentes nos arquivos Epstein", afirmou ao Correio. "Todos nós podemos ver, nos documentos e no depoimento de Virginia Giuffre, o envolvimento de Andrew nos abusos. Ele está sob investigação em relação a uma outra vítima." Apesar de nunca ter se encontrado com o ex-príncipe, ela relatou que viu fotografias de Andrew na mansão de Epstein.

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Arquivo pessoal - Marina Lacerda, brasileira, sofreu abusos dos 14 aos 17 anos
 

Lacerda aposta que a detenção e as buscas nas propriedades de Andrew possibilitarão a coleta de mais informações. "Ele será interrogado e espero que outros abusadores sejam descobertos. Talvez tenhamos a responsabilização aqui, nos Estados Unidos. É muito constrangedor dizer que os Estados Unidos são uma nação onde acreditamos que a Justiça deveria ser feita, e ela realmente está em falta agora."

Em comunicado à imprensa, Maria Farmer — a primeira vítima conhecida dos abusos de Epstein — declarou que "este é o começo da responsabilização e da justiça trazidas à tona por Virginia Roberts Giuffre, uma jovem mãe que adorava tanto sua filha que lutou contra os mais poderosos da Terra para protegê-la". "Agora, vamos exigir que todas as peças do dominó do poder e da corrupção comecem a cair", escreveu. Giuffre, uma advogada norte-americana, denunciou Andrews pela participação nos abusos sexuais e cometeu suicídio em 25 de abril de 2025.

US District Court/Southern District of New York/AFP - Andrew (E) com Virginia Giuffre (C), garota que teria sido cedida por Epstein ao príncipe, em foto tirada na ilha do financista

A família de Virginia divulgou nota na qual se diz "aliviada". "Ninguém está acima da lei, nem mesmo a realeza. Ele (Andrew) nunca foi um príncipe." Há duas semanas, outra mulher afirmou que Epstein a enviou à Inglaterra, em 2010, para manter relações sexuais com o filho caçula da rainha Elizabeth II. 

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