
Por Bernardo Caporalli
Em um contexto de guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o encontro entre Lionel Messi e Donald Trump reacendeu o debate sobre a relação entre grandes ídolos do esporte e a política. Para o cientista político Heitor Veras, formado na Universidade de Brasília (UnB), encontros desse tipo fazem parte de uma agenda política envolvendo atletas de projeção global.
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De acordo com Veras, o episódio representa um valor simbólico relevante dentro da lógica contemporânea do soft power. “Grandes atletas funcionam como ativos culturais globais, capazes de mobilizar audiências muito além da esfera política tradicional. Em um contexto internacional sensível — marcado pelo conflito entre Israel e Irã com a participação direta dos EUA— a presença de uma figura com a projeção global de Messi ao lado do presidente dos Estados Unidos produz um aceno simbólico à opinião pública internacional, desvelando no plano cultural a marcação de uma posição de influência norte-americana para com personalidades do mundo futebolístico às vésperas de uma Copa do Mundo”, afirma o cientista.
O cientista político afirma que participar de um evento oficial na Casa Branca inevitavelmente carrega um significado político, ainda que o objetivo formal seja esportivo — neste caso, a celebração do título da Major League Soccer conquistado pelo Inter Miami CF. “Em termos de comunicação política, esse tipo de imagem contribui para reforçar narrativas de liderança e legitimidade dos Estados Unidos, especialmente em um momento em que parte da imprensa especializada demonstra desconfiança em relação à segurança e à capacidade do país de sediar a Copa do Mundo FIFA 2026. Portanto, o peso do encontro está menos na diplomacia formal e mais na dimensão simbólica da política internacional”, completou.
Mesmo sem declarações explícitas, a proximidade entre figuras públicas como Lionel Messi e líderes políticos como Donald Trump tende a simbolizar uma aliança. Episódios desse tipo reforçam o papel que atletas de projeção global podem desempenhar — ainda que de forma indireta — na construção de imagens e mensagens políticas em momentos de tensão no cenário internacional.
*Estagiário sob supervisão de Paulo Leite
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