A Escócia se tornou, nesta segunda-feira (2/3), o primeiro país do Reino Unido a autorizar a cremação com água, método considerado mais sustentável que o enterro e a cremação tradicional. A mudança na legislação foi aprovada após consulta pública em que 84% da população se manifestou favorável à alternativa.
Historicamente, o sepultamento sempre foi o meio mais tradicional e culturalmente consolidado de destinação do corpo. Ao longo do tempo, surgiu a cremação por fogo/gás como uma alternativa ao enterro convencional, no entanto, os dois métodos apresentam impactos ambientais negativos, o que tem levado governos e especialistas a discutirem opções mais sustentáveis.
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De acordo com dados oficiais da Escócia, cerca de 75% dos funerais no país resultam em cremação, o que demonstra que o método já é predominante e amplamente aceito pela população, reforçando a relevância da discussão sobre formas mais ecológicas dentro dessa prática já consolidada no pais.
Como funciona o processo?
Conhecida tecnicamente como hidrólise alcalina, também chamada de aquamação, a técnica utiliza água em vez do fogo para acelerar a decomposição natural do corpo.
No procedimento, o corpo é colocado em uma câmara de aço inoxidável. A câmera é preenchido com água aquecida e uma solução alcalina, que pode ser hidróxido de potássio ou hidróxido de sódio. A temperatura varia entre aproximadamente 90°C e 150°C. A combinação de calor, pressão e alcalinidade acelera o processo natural de decomposição, quebrando tecidos e componentes orgânicos de forma controlada.
O método busca reproduzir, de maneira mais rápida e controlada, aquilo que ocorreria naturalmente ao longo de anos no solo, mas com menor impacto ambiental.
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O que resta após o processo?
O processo dura, em média, de três a quatro horas. Ao final, há dois resultados principais. Com a dissolução dos tecidos moles, resulta um líquido estéril (aminoácidos, açúcares, sais e outros subprodutos orgânicos), que pode ser descartado de maneira segura no sistema de tratamento de água.
Com os ossos mineralizados, resulta em um pó branco fino, formado por restos ósseos mineralizados. Esse material é entregue à família, de forma semelhante às cinzas obtidas na cremação tradicional. Ou seja, embora o método seja diferente, o ritual de entrega dos restos mortais à família permanece semelhante ao já conhecido.
Impactos ambientais
Entre os principais argumentos a favor da nova técnica estão os impactos ambientais reduzidos
- Menor emissão de gases: como não há combustão, não ocorre liberação de dióxido de carbono (CO?) nem de mercúrio, substância que pode ser emitida durante a cremação tradicional.
- Baixo consumo energético: o processo utiliza menos energia do que a cremação por fogo.
- Ausência de necrochorume: diferente do sepultamento, não há infiltração de líquidos tóxicos no solo, o que reduz riscos de contaminação ambiental.
A ministra da Saúde Pública do governo escocês, Jenni Minto, declarou em uma coletiva de imprensa que as decisões sobre o destino dos restos mortais são profundamente pessoais e estão diretamente ligadas aos valores individuais e às crenças familiares. Segundo ela, a nova legislação amplia as opções disponíveis, respeitando diferentes visões e convicções.
Em outras partes do Reino Unido, a Comissão de Direito da Inglaterra e do País de Gales analisa a criação de um marco regulatório para novos métodos funerários, incluindo tanto a hidrólise alcalina quanto a compostagem humana. O debate, portanto, não se limita apenas à Escócia e pode avançar nos próximos anos.
A prática da hidrólise alcalina surgiu inicialmente nos anos 1990 como uma solução para o descarte de resíduos biológicos. Já nos anos 2000, passou a ser utilizada em funerais nos Estados Unidos. Atualmente, cerca de 28 estados norte-americanos já permitem o método. A técnica também foi adotada no Canadá, na Austrália e na África do Sul, demonstrando uma expansão gradual da alternativa considerada mais sustentável.
*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca
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