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Semente de moringa pode remover microplásticos da água, aponta estudo

Estudo da Unesp mostra que extrato vegetal tem desempenho semelhante ao do sulfato de alumínio no tratamento para consumo humano

Semente de moringa: trunfo para tratamento d'água -  (crédito: Reprodução)
Semente de moringa: trunfo para tratamento d'água - (crédito: Reprodução)

A semente da moringa pode remover microplásticos da água potável com eficiência semelhante à do sulfato de alumínio, substância amplamente usada em estações de tratamento. A constatação é de uma pesquisa do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICT-Unesp), em São José dos Campos, publicada nesta segunda-feira (2/3) na revista ACS Omega, da Sociedade Americana de Química. Segundo o estudo, o extrato salino obtido das sementes apresentou desempenho comparável ao do produto químico na etapa de coagulação, que antecede a filtração.

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“Mostramos que o extrato salino das sementes tem uma performance parecida ao do sulfato de alumínio, usado em estações de tratamento para coagular a água com microplásticos. Em águas mais alcalinas, ele teve um desempenho até melhor do que o produto químico”, afirma Gabrielle Batista, primeira autora do estudo, desenvolvido durante o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGECA) da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB-Unesp).

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A pesquisa é coordenada por Adriano Gonçalves dos Reis, professor do ICT-Unesp e do PPGECA da FEB-Unesp, responsável também pelo projeto “Filtração direta e em linha para remoção de microplásticos da água de abastecimento”, apoiado pela FAPESP.

Segundo Reis, a principal limitação identificada até o momento é o aumento da matéria orgânica dissolvida na água tratada com o extrato vegetal. “A única desvantagem encontrada até agora em relação ao sulfato de alumínio foi o aumento de matéria orgânica dissolvida, cuja remoção poderia encarecer o processo. No entanto, em pequenas escalas como propriedades rurais e pequenas comunidades, o método poderia ser usado com baixo custo e eficiência”, diz.

Como funciona o processo

O estudo concentrou-se na filtração em linha, modelo indicado para águas de baixa turbidez. Nesse sistema, a água passa primeiro pela coagulação, etapa em que as partículas são desestabilizadas, e depois segue para um filtro de areia.

A coagulação é necessária porque microplásticos possuem carga elétrica negativa, o que faz com que se repelam entre si e também sejam repelidos pelos grãos de areia dos filtros. Coagulantes como o extrato de moringa ou o sulfato de alumínio neutralizam essa carga elétrica, permitindo que as partículas se unam e sejam retidas na filtração.

Em pesquisa anterior, o grupo já havia demonstrado a eficácia da semente de moringa em um ciclo completo de tratamento, que inclui floculação, sedimentação e filtração.

Testes em laboratório

Para avaliar o método, os pesquisadores utilizaram água da torneira contaminada experimentalmente com policloreto de vinila (PVC), escolhido por estar entre os microplásticos considerados mais prejudiciais à saúde humana, devido ao potencial mutagênico e cancerígeno já documentado, além de sua presença frequente em corpos d’água e até na água tratada por processos convencionais.

O PVC foi submetido a envelhecimento artificial por meio de irradiação ultravioleta, simulando as condições naturais às quais esses fragmentos ficam expostos no ambiente.

A água contaminada passou por coagulação e filtração em um equipamento conhecido como Jar Test, que reproduz, em pequena escala, os processos realizados em estações de tratamento. Os resultados obtidos com o extrato de moringa foram comparados aos do sulfato de alumínio.

A contagem das partículas antes e depois do tratamento foi feita por microscopia eletrônica de varredura (MEV). O tamanho dos flocos formados foi medido com câmera de alta velocidade e feixe de laser. Segundo os pesquisadores, não houve diferenças significativas na eficiência de remoção entre os dois coagulantes.

Atualmente, o grupo testa o extrato de moringa em água coletada diretamente no rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de São José dos Campos. Nos experimentos realizados até agora, o produto tem apresentado eficiência no tratamento da água natural.

Reis destaca que o interesse por alternativas vegetais acompanha uma discussão regulatória mais ampla. “Há um escrutínio regulatório cada vez maior e uma preocupação com a saúde sobre o uso de coagulantes baseados em alumínio e ferro, pelo fato de não serem biodegradáveis, além de deixarem toxicidade residual e apresentarem risco de doenças. Por isso, tem-se intensificado a busca por alternativas sustentáveis”, afirma.

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postado em 02/03/2026 22:34
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