ORIENTE MÉDIO

Israel e Líbano retomam negociações em busca de acordo duradouro

Encontro em Washington ocorre em meio a ataques recentes e pressão internacional por avanço diplomático

Representantes de Israel e Líbano participam, nesta quinta-feira (23/4), em Washington, de uma nova rodada de negociações diplomáticas em meio a um cenário de instabilidade no sul libanês. O encontro busca avançar em um acordo mais duradouro, apesar de um cessar-fogo considerado frágil e frequentemente tensionado por confrontos recentes.

A trégua de dez dias, ainda em vigor, foi estabelecida após determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 16 de abril. O acordo tem como objetivo conter os confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, que atua no sul do Líbano.

Nas negociações, o governo libanês deve propor a ampliação do cessar-fogo por mais 30 dias. A expectativa é que a prorrogação permita espaço para avanços diplomáticos e redução das hostilidades na fronteira.

O plano mediado pelos EUA prevê que Israel mantenha o direito de agir em autodefesa, enquanto o governo libanês se compromete a conter ações do Hezbollah contra alvos israelenses, um dos pontos mais sensíveis das tratativas.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, afirmou recentemente que não há “desentendimentos sérios” com o Líbano e declarou disposição para “estender a mão da paz”. Ao mesmo tempo, cobrou ações mais firmes de Beirute contra o Hezbollah.

Apesar das conversas diplomáticas, episódios recentes de violência colocam em risco qualquer avanço. Na última semana, ataques foram registrados de ambos os lados.

O governo libanês acusou Israel de crimes de guerra após um bombardeio no sul do país que resultou na morte de uma jornalista e deixou outro profissional gravemente ferido. Além disso, ao menos quatro pessoas morreram em ataques distintos na mesma região, segundo a mídia estatal libanesa.

As ações geraram reação internacional, incluindo manifestações da Organização das Nações Unidas e do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, que pedem proteção a civis e profissionais da imprensa.

Riscos e cenário incerto

O ambiente de insegurança também levou a Embaixada dos Estados Unidos em Beirute a recomendar que cidadãos americanos deixem o país, citando riscos contínuos de terrorismo e sequestros.

Paralelamente, o Líbano tenta avançar no desarmamento do Hezbollah, especialmente nas áreas próximas à fronteira. Embora o governo libanês afirme ter concluído uma etapa inicial do plano em janeiro, Israel considera os resultados insuficientes.

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