EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Apollo 11: novos documentos revelam o que a Nasa não contou em 1969

Nesta sexta-feira, o governo dos Estados Unidos divulgou documentos federais inéditos sobre fenômenos anômalos registrados durante a missão Apollo 11, em 1969

Na manhã desta sexta-feira (8/5), o governo dos Estados Unidos divulgou documentos federais sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs), a nova forma de se referir aos OVNIs, os objetos voadores não identificados. Entre os 162 arquivos, consta um relatório técnico da missão da Apollo 11, em que os astronautas relatam terem visto um objeto "como um livro aberto" e luzes piscantes entrando e saindo da cápsula da espaçonave. 

Enquanto o mundo celebrava um grande salto para a humanidade, nos bastidores, os astronautas da missão Buzz Aldrin, Neil Armstrong e Michael Collins registravam uma série de anomalias visuais e desafios técnicos curiosos na missão Apollo 11, que ocorreu em 20 de julho de 1969. 

O objeto em forma de "L"

Um dos relatos ocorreu quando a tripulação estava a cerca de um dia de distância da Lua. Aldrin é o que mais aparece no relatório. Ele descreveu a observação de um objeto de "dimensão considerável", inicialmente, os astronautas suspeitaram que pudesse ser estágios do foguete Saturn V, mas o controle em terra informou que o equipamento estava a cerca de 6.000 milhas de distância.

Por meio de um monóculo, o objeto apresentava uma forma peculiar. Aldrin descreveu como tendo um "formato em L". "Estávamos vendo todo tipo de objeto pequeno passando pelos vários lixões e, de repente, vimos esse objeto mais brilhante passando. Não conseguimos pensar em mais nada", diz Aldrin. Enquanto Armstrong o comparou a uma "mala aberta", essa observação ficou ainda mais confusa conforme os astronautas ajustavam o foco dos instrumentos ópticos. 

Collins, que não chegou a pisar na Lua, suspeitou que a origem do objeto pudesse ser a própria nave, talvez uma peça da antena de alto ganho ou fragmentos de Mylar que se soltaram: “Era possível ver aquela coisa girando e, quando parava de frente, dava para ver bem lá dentro. Era um cilindro oco. Mas aí você podia mudar o foco do sextante e ele era substituído por essa forma de livro aberto. Era muito estranho”. 

Flashes na escuridão

Outro fenômeno relatado pela tripulação foram pequenos flashes de luz observados dentro da própria cabine, na segunda noite da missão enquanto tentavam dormir. Aldrin notou que os flashes ocorriam cerca de uma vez por minuto e não eram ilusões de ótica. "Dava uma sensação estranha contemplar que algo estava 'zapeando' pela cabine", relatou Aldrin.

Ele acredita que era algum tipo de “penetração”: um “laser” que penetrava na espaçonave, causando uma emissão de luz: “Às vezes, era apenas um flash entrando. Possivelmente, a saída ocorria de uma parte completamente diferente da cabine, fora do campo de visão”. 

Armstrong, após observar cuidadosamente o interior da espaçonave por uma hora, registrou cerca de 50 dessas observações. A explicação técnica sugerida foi de que os flashes seriam causados pela luz vindo do Sol, que atravessava a nave e atingia os olhos dos astronautas.

Preparação mental

Além das anomalias, os documentos destacam a importância do estado psicológico da tripulação. Collins enfatizou que, para o sucesso da missão, os astronautas precisavam se convencer de que teriam "alguns dias relaxantes" no caminho para a Lua, garantindo descanso e sono adequados antes das atividades críticas na superfície lunar.

Esses relatos, agora parte da história técnica da Nasa, oferecem um vislumbre sobre a natureza desconhecida do ambiente espacial que os pioneiros da Apollo 11 enfrentam há mais de meio século.

*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca

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