O FBI anunciou uma recompensa de US$ 200 mil, cerca de R$ 1 milhão, para quem fornecer informações que levem à prisão da ex-agente de contrainteligência americana, Monica Witt. Com mais de seis anos desde que foi acusada de espionagem pelos Estados Unidos, Monica é apontada como uma das maiores desertoras da inteligência dos EUA nas últimas décadas.
Segundo autoridades americanas, a mulher de 47 anos teria abandonado o país em 2013 e passado a colaborar diretamente com o governo do Irã. Desde então, ela nunca mais apareceu publicamente. O FBI afirma acreditar que a ex-militar ainda esteja ligada a operações iranianas consideradas hostis aos interesses dos Estados Unidos.
A ex-agente foi denunciada oficialmente por um júri federal em 2019. Entre as acusações estão espionagem e entrega de informações sigilosas de defesa nacional. Investigadores afirmam que ela teve acesso a documentos ultrassecretos, incluindo dados sobre programas de inteligência e identidades reais de agentes infiltrados.
De acordo com a acusação, Monica teria sido recrutada por iranianos depois de participar de eventos ligados ao governo do Irã. Após deixar os Estados Unidos, ela teria recebido moradia, equipamentos eletrônicos e apoio logístico para atuar em favor do país do Oriente Médio.
Nascida em 1979, em El Paso, no Texas, Monica Witt entrou para a Força Aérea americana ainda jovem, aos 18 anos. Ela trabalhou em áreas estratégicas de inteligência e vigilância eletrônica e chegou a atuar no Iraque durante a guerra. Também estudou farsi, idioma falado no Irã, e passou por missões na Arábia Saudita.
Autoridades americanas afirmam que a ex-agente conhecia detalhes delicados sobre métodos de monitoramento usados pelos EUA e sobre operações conduzidas contra o Irã. Por isso, a deserção foi tratada internamente como uma ameaça grave à segurança nacional.
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Além de Monica, quatro iranianos também foram acusados no mesmo processo. Mojtaba Masoumpour, Behzad Mesri, Hossein Parvar e Mohamad Paryar são suspeitos de ajudar em ações de invasão cibernética e roubo de identidade contra integrantes da inteligência americana.
No novo comunicado divulgado nesta semana, o FBI afirmou que continua buscando pistas sobre o paradeiro da ex-agente. O órgão destacou que, em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã, ainda acredita que alguém possa saber onde Monica Witt está escondida. A investigação segue aberta.
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes
