Milhares de cubanos atenderam ao chamado do governo comunista e se manifestaram diante da embaixada dos Estados Unidos, em Havana, em apoio ao ex-presidente Raúl Castro. Irmão de Fidel Castro, que comandou o país desde a revolução de 1959 até adoecer, em 2006, Raúl, hoje com 94 anos, é o mais importante entre os líderes do regime. Nesta semana, foi indiciado por assassinato na Justiça dos Estados Unidos, como parte da pressão de Washington sobre a ilha, que inclui um drástico bloqueio energético e o deslocamento de um porta-aviões para o Caribe, além de ameaças repetidas de uma intervenção militar.
"Viva Raúl!", entoavam os manifestantes, liderados pelo presidente Miguel Díaz-Canel e outros dirigentes em uniformes militares. O próprio Raúl não esteve presente, mas foi representado por parentes. A filha Mariela, deputada na Assembleia Nacional, falou aos jornalistas e rebateu as acusações feitas ao pai nos EUA. "Esse processo não é viável, viola tudo que é estabelecido legalmente nos próprios EUA, embora eles (o governo de Donald Trump) façam tudo que querem e violem até a Constituição", afirmou. "Ninguém vai sequestrá-lo, nem a ele nem a ninguém. Estamos preparados para combater o imperialismo."
O ato contou também com a participação de Alejandro Castro, outro filho de Raúl e tido como um personagem-chave nas negociações secretas que levaram, em 2015, ao reatamento de relações diplomáticas entre Cuba e EUA. após meio século. Também estiveram presentes netos do ex-presidente, entre eles Raúl Guillermo Rodríguez Castro, oficial do Exército que desempenha papel importante nas difíceis conversas em curso com Washington, há vários meses, apesar do recrudescimento unilateral das sanções.
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O irmão mais novo do falecido Fidel Castro (1926-2016), inimigo declarado de Washington, foi indiciado na quarta-feira por matar americanos, em 1996. Na ocasião, dois aviões civis pilotados por membros de uma organização anticastrista, os Irmão pelo Resgate, foram derrubados perto da costa de Cuba, quando orientavam cidadãos que deixavam a ilha por mar, rumo à Flórida. Quatro cubanos-americanos morreram. Na época, Raúl Castro era ministro da Defesa.
