SAÚDE PÚBLICA

Primeiro paciente se recupera do Ebola em meio a surto no Congo

OMS confirma primeira alta no novo surto da doença causada por cepa rara avança em região marcada por conflitos armados

Em meio ao avanço do surto de Ebola na República Democrática do Congo, a Organização Mundial da Saúde confirmou nesta sexta-feira (29/5) a primeira recuperação oficial de um paciente infectado pela nova onda da doença no país. A alta ocorreu poucos dias após a OMS declarar emergência internacional diante da rápida expansão do vírus na África Central.  

O paciente deixou o hospital após apresentar dois testes negativos para o vírus na quarta-feira (27/5). A confirmação foi recebida como um sinal de esperança em um contexto de hospitais sobrecarregados, falta de suprimentos médicos e ataques a centros de saúde em áreas afetadas pelo conflito armado.    

Desde que o surto foi declarado oficialmente em 15 de maio, os números cresceram rapidamente. A OMS monitora mais de mil casos suspeitos e centenas de mortes sob investigação no Congo, além de registros confirmados em Uganda.  

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, desembarcou em Kinshasa nesta semana para acompanhar de perto a resposta à epidemia. Durante a visita, ele afirmou que a comunidade internacional não pode abandonar a população congolesa em meio à crise sanitária e ao conflito que domina parte do leste do país.  

A situação em Ituri, província considerada epicentro do surto, é uma das mais delicadas. Equipes médicas trabalham em áreas controladas por grupos armados e enfrentam resistência de moradores revoltados com protocolos sanitários ligados aos enterros das vítimas. Em algumas regiões, unidades de saúde foram atacadas e profissionais precisaram abandonar hospitais por questões de segurança.  

A falta de estrutura também virou um dos obstáculos no combate ao vírus. Relatórios apontam escassez de máscaras, testes laboratoriais e medicamentos básicos. Em determinados hospitais, médicos chegaram a utilizar equipamentos vencidos para atender pacientes suspeitos de infecção.  

Apesar da gravidade do cenário, os médicos afirmaram à imprensa local que o caso do paciente recuperado ajuda a reforçar a importância do diagnóstico rápido e do tratamento precoce. Segundo a OMS, pessoas atendidas logo nos primeiros sintomas têm mais chances de sobreviver ao vírus, cuja taxa de mortalidade pode variar entre 30% e 50% na atual cepa.  

A comunidade internacional começou a ampliar a ajuda humanitária nas últimas horas. A União Europeia enviou equipamentos médicos para o Congo e os Estados Unidos anunciou a doação de US$ 80 milhões para novos recursos hospitalares, laboratoriais e ações de vigilância epidemiológica.  

Mesmo assim, autoridades de saúde admitem que a epidemia ainda está longe de ser controlada. A OMS já classificou o risco nacional do surto como “muito alto” e teme que a grande circulação de pessoas entre regiões de conflito facilite ainda mais a disseminação da doença. 

* Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca

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