Mundo

"Nunca vitimizei ninguém", diz Bill Gates em audiência sobre Epstein

Nome de Gates aparece nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça, que revelaram amizades próximas, operações financeiras ilícitas e fotos privadas de Epstein

Bil Gates audiência Jeffrey Epstein       -  (crédito: KENT NISHIMURA / AFP)
Bil Gates audiência Jeffrey Epstein - (crédito: KENT NISHIMURA / AFP)

O cofundador da Microsoft, Bill Gates, negou, nesta quarta-feira (10/6), ter conhecimento sobre condutas criminosas de Jeffrey Epstein e ter "vitimizado" pessoalmente alguém, ao depor no Congresso dos Estados Unidos sobre seus vínculos com o falecido criminoso sexual.

O nome do bilionário aparece nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça, que revelaram amizades próximas, operações financeiras ilícitas e fotos privadas de Epstein com personalidades proeminentes.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Leia também: Fãs de Naruto assinam petição contra uso de personagem por Trump

"Nunca presenciei nem tive qualquer indício de que Epstein estivesse envolvido em condutas criminosas em andamento. Nunca fui à sua ilha, à sua fazenda nem à sua casa na Flórida. Nunca vitimizei ninguém", disse Gates em sua declaração inicial, preparada previamente e divulgada no início desse interrogatório a portas fechadas no Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes.

O financista nova-iorquino foi encontrado morto em sua cela na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual envolvendo menores de idade. Em 2008, ele havia sido condenado por solicitar serviços de prostituição a uma menor.

Leia também: Trump ameaça novo ataque ao Irã após queda de helicóptero

O comitê solicitou a presença de Gates depois que documentos divulgados pelo Departamento de Justiça levantaram novas dúvidas sobre seus contatos com Epstein.

O presidente Donald Trump, que manteve uma relação de anos com Epstein, se opôs à divulgação dos arquivos, o que provocou acusações de encobrimento que marcaram seu primeiro ano no cargo. Já Gates declarou que apoiava a publicação e esperava que as vítimas obtivessem justiça.

Ele explicou aos parlamentares que foi apresentado a Epstein em 2011 por pessoas de sua confiança no âmbito profissional e filantrópico, e que aceitou o contato porque o financista afirmava que podia arrecadar bilhões de dólares para projetos de saúde global.

"Lembro de estar ciente de que Epstein havia enfrentado problemas legais anteriormente, mas não compreendia plenamente a dimensão dos crimes que cometeu", disse. "Aceitei a apresentação sem aplicar o escrutínio que deveria ter aplicado."

Leia também: Restos mortais de baleia famosa na Europa vão virar biodiesel

Gates afirmou que teve conversas e reuniões com Epstein sobre doações beneficentes entre 2011 e 2014. No entanto, esclareceu que não foi criado nenhum mecanismo para as doações, não foi arrecadado dinheiro e suas interações acabaram em dezembro de 2014.

 "Lamento profundamente"

"Nunca deveria ter me encontrado com Epstein em primeiro lugar", declarou o fundador da Microsoft.

Os arquivos sobre Epstein incluem um rascunho de e-mail de 2013 no qual o financista parece sugerir que havia ajudado Gates a lidar com as consequências de relações extraconjugais, inclusive buscando antibióticos após uma infecção sexualmente transmissível.

Gates classificou o e-mail como falso e negou as acusações, mas reconheceu nesta quarta-feira que Epstein obteve informações confidenciais sobre sua vida pessoal, incluindo o fato de que havia sido infiel em seu casamento.

Ele acusou Epstein de tentar utilizar informações sobre suas infidelidades, "além de muitas mentiras que acrescentou à história", para pressioná-lo a retomar o contato. "Ele não teve sucesso nessa tentativa, mas isso demonstra como tentou aproveitar suas interações comigo para promover seus próprios objetivos", apontou.

Gates disse que agora compreendia que Epstein havia buscado construir "uma imagem de legitimidade" em torno de si mesmo por meio de vínculos com pessoas influentes e de boa reputação. "Se o tempo que passei com Epstein lhe conferiu alguma credibilidade, lamento profundamente", afirmou.

O Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes está analisando como o governo conduziu o caso Epstein e o que tem divulgado de seus arquivos. Bill e Hillary Clinton, assim como o secretário de Comércio, Howard Lutnick, já prestaram depoimento.

Ao fim da audiência, o congressista republicano Tim Burchett sugeriu que Gates parecia ter sido "bem orientado" e havia revelado pouca informação, sem fornecer novos nomes para os investigadores do entorno de Epstein.

Por sua vez, Robert García, principal democrata no comitê, afirmou que Gates lhes havia "fornecido informações sobre outras pessoas que faziam parte do entorno de Epstein". "Até agora, Gates tem colaborado, respondendo às nossas perguntas", disse à imprensa.


  • Google Discover Icon
Por AFP
postado em 10/06/2026 18:52
x