
"O papa rezou com o nosso rosário." Essa frase provavelmente será repetida muitas vezes pelo espanhol Sergi Masoliver aos filhos e netos. O rapaz foi surpreendido por um gesto simples e simbólico de Leão XIV. Afinal, qual é a chance de o líder de 1,4 bilhão de católicos aceitar receber um rosário estendido para ele, ficar com o objeto religioso durante algumas horas e, depois, devolvê-lo ao dono?
Em entrevista ao Correio, Sergi contou que tudo o que queria era estar presente na visita de Leão XIV ao santuário de Montserrat, a 59km de Barcelona, e compartilhar esses momentos com familiares e amigos. "Um voluntário das Irmãs da Caridade de Calcutá presenteou-os com os ingressos para o santuário. Como a família dele não pôde ir, pensou em minha namorada, María, e em mim", disse.
Na véspera, ele e María tinham visto Leão XIV no estádio de Montjuic. "Chegamos muito cansados em casa, à 1h. Acordamos às 5h para irmos a Montserrat. Quando saímos de Montjuic, na terça-feira, tínhamos dúvidas se iríamos ou não. Mas, consideramos a visita de Leão XIV algo maravilhoso e, como tínhamos os ingressos, resolvemos aproveitar o momento", relatou.
Sergi e María esperaram por cerca de quatro horas pelo papa, em pé. "Pensávamos que Leão XIV viria caminhando, mas veio no papamóvel. Quando o vi tão próximo, subi na cerca, me destaquei um pouco das pessoas ao redor e lhe estendi o rosário, pois queria que ele o benzesse. Tive a grande sorte de ele ter falado comigo e perguntado: 'É para mim?'. Respondi: 'Sim, para você, um rosário'. Nesse momento, vi que ele guardou o rosário no bolso", lembrou o rapaz.
Quando se sentaram e começaram a rezar o rosário durante a missa, Sergi e María perceberam que o papa fazia o mesmo com o rosário deles. "Era o rosário que tínhamos dado a ele. Eu disse a María: 'Vamos rezá-lo com muita fé e emoção'. Foi um movimento maravilhoso, senti uma paz brutal ao ver que o Santo Padre rezava com o nosso rosário", afirmou o espanhol. "Imaginei que, quando o Santo Padre, pegou o nosso rosário para rezar, em algum momento pensou em nós. Enquanto ele rezava, por algum momento estávamos em sua mente, não é?", acrescentou.
Ao fim do evento, Sergi e María esperaram a saída do papa. A namorada sugeriu a ele que pedissem o rosário de volta, para que tivessem o objeto de devoção rezado pelo papa. "Leão XIV saiu, mas estava em um carro oficial, com as janelas fechadas. Estávamos do lado contrário ao do papa. Começamos a gritar: 'Santo Padre, o rosário!'. Ele não pôde ouvir, pois havia muita gente e muitas crianças. Corremos até a saída de Montserrat, descendo pelas escadas. Voltamos a tentar, quando o carro passou. 'Santo Padre, o rosário!'. Mas ele não nos escutava. Eu havia desistido, quando María pediu que eu seguisse tentando. Fui correndo e subindo ao longo da cerca, pelo caminho. 'Santo Padre, o rosário!', eu gritava. Pude ver o papa e ele tinha uma expressão facial como se não estivesse entendendo. 'O rosário que lhe dei antes!', repeti. Na terceira vez, ele retirou o rosário e pediu a um secretário que o tirasse do carro. Foi quando o recuperei", lembrou.
Sergi considera o rosário um "presente de Deus". "O rosário é importante para mim não por ter passado pelas mãos do papa, mas pelo fato de Leão XIV tê-lo rezado, animado os jovens a rezar a confiar no Senhor e em Cristo. Se você confia no Criador do Universo, o que pode sair mal?", concluiu. A lição que ele carrega: nunca perder a esperança e a confiança, e seguir rezando. "Tudo posso em Cristo, que me fortalece. Nada é impossível. Até mesmo as maiores 'casualidades' são obras de Deus", concluiu.

Mundo
Mundo
Mundo