Oriente Médio

Estados Unidos atacam Irã após derrubada de helicóptero Apache

Trump ordena bombardeios "proporcionais" depois de ofensiva contra aeronave do Exército. Dois tripulantes foram resgatados na costa de Omã, no Estreito de Ormuz. Israel volta a lançar mísseis contra o sul do território libanês

Menos de 24 horas depois da derrubada de um helicóptero americano Apache no Estreito de Ormuz, as forças dos Estados Unidos retaliaram com"ataques proporcionais" contra o Irã. "As forças americanas começaram a lançar ataques em legítima defesa contra o Irã, às 17h desta terça-feira (18h em Brasília), por ordem do comandante em chefe, em resposta à derrubada de um helicóptero Apache do Exército dos EUA. A missão é uma resposta proporcional à agressão injustificada do Irã", afirma o comunicado do Comando Central dos EUA na rede social X. A agência de notícias semioficial iraniana Mehr relatou que moradores de Sirik Port — enclave portuário e centro logístico estratégico localizado na costa do Golfo Pérsico, no sul do Irã — e de vilarejos próximos escutaram "múltiplas explosões" durante a noite. Também foram ouvidos bombardeios em Bandar Abbas e em Qeshm, que fazem fronteira com o Estreito de Ormuz. Em outra frente, Israel voltou a atacar o sul do Líbano, em uma ofensiva contra o movimento fundamentalista xiita Hezbollah, aliado-chave do Irã. 

Enquanto os EUA atacavam o Irã, Trump dava uma entrevista à emissora ABC News. "Acho importante respondermos. Eles derrubaram um helicóptero e estamos respondendo, enquanto nos falamos. Acredito que a resposta deveria ser muito forte, muito poderosa, e é exatamente isso que isto é", declarou. O presidente americano tinha sinalizado a possível retaliação, em publicação na própria plataforma Truth Social, horas antes. "Eu acabo de ser informado por nossas grandes Forças Armadas que, na noite passada, os iranianos derrubaram um de nossos altamente sofisticados helicópteros Apache, enquanto patrulhava o Estreito de Ormuz", escreveu o republicano. "Houve dois pilotos envolvidos, ambos estão seguros e ilesos. No entanto, os EUA devem, necessariamente, responder a este ataque." 

Jalaa Marey/AFP - Helicóptero Apache AH-64 da Força Aérea Israelense, no norte de Israel

Uma autoridade do governo americano informou ao site Axios que um drone iraniano Shahed atingiu o helicóptero. Os tripulantes do Apache foram resgatados às 19h30 de segunda-feira (8/6) pelo horário local (20h30 em Brasília), após a aeronave ser abatida na costa do Omã. No domingo (7), o Irã voltou a disparar mísseis balísticos contra Israel, que retaliou em seguida com vários bombardeios. Ontem, as forças israelenses voltaram a realizar ataques aéreos contra o sul do Líbano. 

Sem citar diretamente a derrubada do helicóptero, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, exortou as forças estrangeiras a abandonarem o Estreito de Ormuz ou "estarão sob risco constante".  "As forças estrangeiras próximas ao nosso território correm risco constante devido a erros humanos, acidentes ou por potencialmente serem apanhadas em fogo cruzado", escreveu na rede social X. "Para reduzir o risco, a melhor solução é que as forças estrangeiras se retirem, o mais rápido possível, de um ambiente que nunca será hospitaleiro a uma presença hostil", acrescentou. Segundo o chanceler do Irã, o seu país prefere "a linguagem da diplomacia", mas avisou: "Como os nossos corajosos guerreiros mostraram ao mundo, sabemos como falar outras linguagens também". 

Pouco antes da retaliação americana, Barbara Slavin, professora de relações internacionais da Universidade George Washington (em Washington D.C.) e pesquisadora senior do instituto Stimson Center, tinha previsto uma ação militar limitada por parte de Trump. "Ele não quer um retorno a uma guerra em larga escala. O fato de nenhum americano ter morrido deveria permitir que ele tomasse medidas proporcionais que não agravem a situação além do ponto em que se encontra", lembrou ao Correio. A especialista destaca que a aparente linha vermelha para os Estados Unidos é um eventual bombardeio a Beirute. "Os contínuos ataques ao sul do Líbano aparentemente não estão incluídos na definição de 'cessar-fogo' de Trump."

Eyal Zisser, vice-reitor da Universidade de Tel Aviv e professor de história do Oriente Médio, concorda com Barbara Slavin. "Trump está interessado em evitar uma escalada. Ele sabe que o Hezbollah não está disposto a aceitar um novo acordo. Por isso, alguns combates, de escala limitada, podem prosseguir no sul do Líbano. Não seria um problema, desde que Beirute fosse poupada", afirmou à reportagem. 

Líbano

Mais cedo, Israel lançou um ataque aéreo contra a cidade costeira de Tiro, às margens do Mar Mediterrâneo, depois de as Forças de Defesa de Israel (IDF) pedirem a retirada total dos moradores. Segundo a agência oficial de notícias libanesa NNA, mais de uma dezena de localidades do sul do país também sofreram bombardeios. Pelo menos oito pessoas morreram e 35 ficaram feridas. Em el-Buss, cidade situada no mesmo distrito de Tiro, três civis foram mortos nos ataques. Segundo autoridades libanesas, desde março passado, os bombardeios israelenses deixaram mais de 3.600 mortos e expulsaram 1 milhão de libaneses de suas casas. 

Kawant Haju/AFP - Fumaça e destroços após bombardeio a prédio na cidade libanesa de Tyro, às margens do Mar Mediterrâneo

Professor emérito do Departamento de Relações Internacionais da Escola de Ciência Política da Universidade de Haifa, Uri Bar Joseph disse ao Correio que Israel não tem condições de travar uma guerra prolongada sem assistência americana. "Há mais de 50 aeronaves americanas de reabastecimento aéreo no Aeroporto Ben Gurion, essenciais para as operações aéreas israelenses de longo alcance, mas provavelmente não serão utilizadas. Mais importante ainda, os estoques de interceptores Arrow e David's Sling, usados contra mísseis iranianos de longo alcance, foram esgotados. Sem a participação dos EUA na defesa aérea, os danos dos ataques do Irã serão mais graves do que no passado. Por esse motivo, Netanyahu não pode embarcar em outro grande conflito", explicou. 

EU ACHO...

Arquivo pessoal - Barbara Slavin, professora de relações internacionais da Universidade George Washington (em Washington D.C.) e pesquisadora senior do instituto Stimson Center

"Não acredito em uma guerra aberta entre EUA, Israel e Irã neste momento. Trump deseja que o conflito se encerre. Seus comentários, ao ressaltar que os pilotos não ficaram feridos, parecem ter sido feitos para abafar o assunto. Eu espero estar certa."

Barbara Slavin, professora de relações internacionais da Universidade George Washington (em Washington D.C.) e pesquisadora senior do instituto Stimson Center

 

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Arquivo pessoal - Barbara Slavin, professora de relações internacionais da Universidade George Washington (em Washington D.C.) e pesquisadora senior do instituto Stimson Center

Eu acho...

"Não acredito em uma guerra aberta entre EUA, Israel e Irã neste momento. Trump deseja que o conflito se encerre. Seus comentários, ao ressaltar que os pilotos não ficaram feridos, parecem ter sido feitos para abafar o assunto. Eu espero estar certa."

Barbara Slavin, professora de relações internacionais da Universidade George Washington (em Washington D.C.) e pesquisadora senior do instituto Stimson Center