As forças estatais foram as principais responsáveis por violações dos direitos das crianças em zonas de conflito em 2025, de acordo com um relatório da ONU obtido pela AFP nesta quarta-feira (17). É a primeira vez, desde o início desse monitoramento, que atores estatais cometem mais violações do que grupos não estatais.
A ONU verificou 38.558 violações de direitos contra crianças no ano passado, cometidas por todas as partes envolvidas em conflitos armados. A organização constatou que um terço das vítimas eram meninas. Os assassinatos e as mutilações representaram a maioria dos casos.
Do total, as forças governamentais foram responsáveis pelo maior número de violações de direitos, um dado sem precedentes desde o início do monitoramento, há três décadas. "2025 foi, sem dúvida, um dos capítulos mais sombrios para a proteção da infância", declarou em comunicado Vanessa Frazier, representante especial da ONU para Crianças em Conflitos Armados.
Israel e os territórios palestinos, considerados em conjunto no relatório, registraram o maior número de violações, com 12.445 casos. As Forças Armadas israelenses foram responsáveis por 9.465 deles.
Outros países com os maiores números de violações dos direitos das crianças por todas as partes envolvidas foram a República Democrática do Congo (4.114), a Nigéria (2.560), Mianmar (2.203) e a Somália (2.195).
Na Ucrânia, a ONU verificou 1.899 violações graves, incluindo a morte de 94 crianças pelas forças armadas russas e os ferimentos sofridos por outras 753. Tanto as Forças Armadas de Israel quanto as da Rússia foram incluídas pela ONU em uma "lista da vergonha".
"Quando os Estados, sobre os quais recai a obrigação de proteger as crianças, contribuem para o seu sofrimento, isso indica uma erosão mais profunda do respeito ao direito internacional", afirmou Frazier.
O relatório da ONU destacou que a integração da inteligência artificial em sistemas de armas contribuiu para um forte aumento da escala de danos causados às crianças.
Segundo o documento, diversos ataques com drones e sistemas operados remotamente foram executados com supervisão humana limitada. Os assassinatos aumentaram 34% em comparação com 2024, enquanto as mutilações cresceram 10%.
Outras violações verificadas incluíram o recrutamento de crianças, sequestros, violência sexual, ataques a escolas e hospitais e a negação de acesso à assistência humanitária.
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