A três dias do segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia, cerca de uma centena de guerrilheiros entregou as armas em uma região de selva no sul do país, nesta quinta-feira (18/6). A deposição de armas está inserida no âmbito de uma negociação com o presidente de esquerda Gustavo Petro, que faz seus últimos esforços para salvar sua questionada política de paz. A medida é considera o primeiro passo para que os rebeldes possam se instalar em uma zona especial onde esperam consolidar acordos com o governo. O ato também representa o maior avanço da política de "paz total" de Petro, o primeiro governante de esquerda da Colômbia, que tentou sem sucesso negociar com todos os grupos armados do país.
Vestidos com uniformes camuflados, 99 rebeldes da Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB) deixaram seus fuzis em um grande contêiner com a inscrição "Aposta na vida, cumpro a paz", em meio à selva do departamento de Putumayo, no sul do país. "Estou muito feliz, mal consigo conter a alegria de saber que não vamos mais ficar longe da família", disse à agência France-Presse (AFP) um rebelde, sob condição de anonimato.
No domingo (21/6), os colombianos elegerão o presidente entre o senador Iván Cepeda, aliado de Petro que promete dar continuidade à iniciativa de paz, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella, defensor do fim de qualquer tipo de aproximação com as organizações ilegais. Petro entregará o poder em 7 de agosto.
Os guerrilheiros, dissidentes do acordo de 2016 que desarmou as Farc, são o único grupo guerrilheiro que avança sem contratempos nas negociações de paz com Petro. É "uma mensagem muito forte e muito poderosa para a sociedade colombiana nesta época em que há muito barulho de guerra", afirmou Armando Novoa, chefe da delegação de paz do governo junto a essa guerrilha.
Os rebeldes permanecerão durante dez meses nesse terreno, onde anteriormente havia plantações de coca, aguardando avanços sobre seu desarmamento definitivo e sua situação jurídica.
