O chefe de Gabinete da Argentina, Manuel Adorni, apresentou sua renúncia neste sábado (27) ao presidente Javier Milei, pressionado após admitir, há duas semanas, que omitiu US$ 500 mil em suas declarações de bens e em meio a pressões políticas e investigações judiciais por suposto enriquecimento ilícito.
"Os intermináveis ataques da mídia que tenho suportado me levaram a pedir que, desta vez, você me acompanhe para que eu possa encerrar este ciclo, com o objetivo de proteger a mim e à minha família", escreveu Adorni, que nega qualquer ato de corrupção, em uma carta ao presidente Javier Milei publicada na rede social X.
O agora ex-ministro, de 46 anos, uma das figuras mais próximas de Milei, está há mais de três meses no centro de uma crise provocada por revelações sobre a compra de imóveis e viagens de alto custo após sua chegada ao serviço público, em dezembro de 2023.
A Justiça, a oposição e aliados do governo exigem esclarecimentos sobre a origem do dinheiro, depois que o ex-funcionário reconheceu, há duas semanas, ter omitido meio milhão de dólares em suas declarações patrimoniais.
Na ocasião, Adorni afirmou que cometeu um erro ao deixar de declarar o valor. "Vou pagar até o último imposto que me couber pagar", disse, atribuindo o dinheiro a investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018.
A irmã do presidente e secretária da Presidência, Karina Milei, respondeu em publicação no X: "Sabemos do difícil – e imerecido – momento que você e sua família vêm enfrentando há meses e respeitamos sua decisão".
Na semana passada, Adorni já havia deixado a função de porta-voz presidencial, cargo que exercia informalmente.
