
Cauê Siwek*
O Corpo Brasileiro Militar de Minas Gerais (CPMMG) segue em missão internacional para resgatar vítimas sob os escombros causados pelos terremotos na Venezuela. O número de mortos chega a 2.295, segundo a última atualização oficial divulgada nesta quarta-feira (1/7) pelo governo do país.
Os 31 militares mineiros têm enfrentado uma rotina de alto risco durante as buscas por vítimas ou sobreviventes. No oitavo dia de operações após os terremotos que atingiram a Venezuela, as equipes de busca integradas por bombeiros de Minas Gerais e São Paulo enfrentam desafios.
Segundo o Tenente-coronel Josias Soares, os profissionais trabalham nesta quinta-feira (2/7) para acessar uma área específica do subsolo, onde cães farejadores e equipamentos tecnológicos de detecção de vida indicaram a provável localização de uma vítima. Eles explica que o uso dessas ferramentas especializadas é fundamental para guiar as escavações e as tentativas de acesso das equipes brasileiras em meio aos cenários complexos deixados pela tragédia.
Mais do que a localização de vítimas, a operação exige análises criteriosas de engenharia estrutural e escoramentos para evitar novos desabamentos, garantindo também a segurança dos bombeiros. Nos últimos dias, o esforço da equipe resultou no resgate cinco vítimas – três em 30 de junho e duas ontem.
A atuação dos bombeiros é dificultada ainda mais diante do colapso estrutural da saúde local. De acordo com o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Christian Lindmeier, o sistema de saúde venezuelano opera sob extrema pressão, com 38 hospitais danificados ou totalmente destruídos pelo abalo. Sem acesso a saneamento básico ou água potável nas zonas de desastre, cresce o temor de surtos de doenças como sarampo, dengue e malária entre os desabrigados.
Rastro de destruição
O governo venezuelano informou que o número de resgates oficiais despencou drasticamente após o período crítico de 72 horas pós-terremotos: enquanto mais de 5 mil pessoas foram salvas nos dois primeiros dias, apenas quatro sobreviventes foram localizados na última segunda-feira (29/6).
Em 24 de junho, terremotos de 7,2 e 7,5 na escala Richter ocorreram em um intervalo de menos de um minuto e causaram desabamentos em diversas regiões da Venezuela, com destaque para La Guaira e Caracas. Após uma semana, o número de mortos já ultrapassa 2 mil e o de feridos chega a 11.267.
Apesar disso, mais de 6 mil pessoas foram resgatadas dos escombros com vida e mais de 13 mil conseguiram sair por conta própria ou com apoio de seus familiares e vizinhos. Na busca por sobreviventes, mais de 25 mil profissionais estão trabalhando, entre bombeiros, policiais e militares, que contam ainda com mais de 15 mil voluntários e com o apoio de mais de 3 mil enviados de outros países.
De acordo com a Nasa, quase 59 mil edifícios foram danificados ou destruídos, gerando uma montanha acumulada de 1,2 milhão de toneladas de entulho, que as equipes precisam remover ou escorar.
Pastor mineiro entre os mortos
Entre as milhares de vítimas dos terremotos, está o pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morador de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Além da perda, a família de Romildo enfrenta dificuldades em relação à repatriação do corpo da vítima. Para que isso aconteça, há um processo específico para o transporte de passageiros, que pode chegar ao valor de R$ 50 mil.
Os familiares do pastor criaram uma vaquinha on-line para custear o translado do corpo. Até a publicação desta matéria, o valor chegava a R$ 1.787,50.
*Estagiário sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro
