Oriente Médio

Hamas aceita se desarmar em Gaza, mas Israel vê acordo "insuficiente"

Grupo palestino impõe, como condição, que Israel suspenda ataques à Faixa de Gaza, retire tropas e amplie ajuda humanitária. Território será governado por um comitê de tecnocratas

Crianças brincam em meio a ruínas de Khan Yunis, no sul de Gaza  -  (crédito: Bashar Taleb/AFP)
Crianças brincam em meio a ruínas de Khan Yunis, no sul de Gaza - (crédito: Bashar Taleb/AFP)

O movimento islamita palestino Hamas concordou com um roteiro de 15 pontos que visa a uma "paz abrangente" na Faixa de Gaza, em meio a negociações mediadas por EUA, Egito, Turquia e Catar. No entanto, destacou que a implementação do documento, que prevê o desarmamento do próprio Hamas e de outras facções palestinas, depende da aceitação de Israel do cumprimento da primeira parte do plano — que prevê a suspensão dos ataques, a retirada do Exército judeu e a intensificação da ajuda humanitária ao enclave. Na prática, é o começo da segunda etapa do cessar-fogo acordado em outubro de 2025 entre Israel e Hamas, depois de anos de uma guerra que deixou dezenas de milhares de mortos. 

O roteiro deverá ser aplicado pelo Conselho da Paz, instituição criada em janeiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O Correio teve acesso aos 15 pontos do documento. Eles estabelecem que o Hamas e as outras funções concordam com que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, pela sigla em inglês) se responsabilize pela segurança e pela governança civil de Gaza.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Formado por tecnocratas palestinos reunidos pelo Conselho de Paz para gerir a reconstrução do território, o NCAG será a única entidade autorizada a inventariar e armazenar as armas do Hamas e das demais facções. Trump assegurou que Israel está "muito feliz" com o resultado das negociações. "É uma situação muito complexa. (...) Ninguém jamais pensou que seria possível desarmar o Hamas", comentou o republicano.

Apesar das declarações de Trump, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, divulgou um comunicado no qual afirmou que exigia "o completo desarmamento do Hamas, incluindo a remoção do arsenal da Faixa de Gaza e a completa desmilitarização da Faixa de Gaza como condição para qualquer processo" (de retirada). A nota sustentou que o acordo "não inclui uma resposta suficiente a essas demandas". O documento prevê que a coleta e o armazenamento das armas do Hamas e de outras facções, bem como a inutilização de arsenais, fábricas de armamentos e túneis. 

Um dos negociadores, Basem Naim, chefe do Comitê Político do Hamas, disse ao Correio que a adesão aos 15 pontos do "mapa do caminho" constitui um pacote unificado. "Ele é resultado de um consenso entre as facções da resistência, dentro da estrutura de uma visão nacional unificada, a qual prioriza o supremo interesse nacional e busca pôr fim ao sofrimento do nosso povo", declarou. "O texto é claro e explícito, ao estipular um cessar-fogo abrangente e permanente, e a retirada completa das forças de ocupação da Faixa de Gaza."

"Bola com Israel"

Ali Baraka — chefe do Departamento de Relações Nacionais do Hamas no exterior — afirmou ao Correio que "a bola está no lado de Israel da quadra". "Trump deve pressionar Israel a implementar o acordo", afirmou. "O compromisso da potência ocupante de encerrar a agressão é o pré-requisito fundamental e o passo inicial para implementar a estrutura e o cronograma do que foi acordado."

De acordo com Baraka, após a implementação da primeira fase do Acordo de Sharm El-Sheikh, que estabelece a interrupção dos ataques israelenses e dos assassinatos seletivos de quadros do Hamas, Netanyahu terá que permitir a entrada de ajuda humanitária, médica e alimentar em Gaza, e as forças de Israel serão obrigadas a sair. "Haverá o envio de forças de manutenção da paz para garantir a estabilidade e a concessão de acesso ao território ao Comitê Nacional Palestino, encarregado de administrar Gaza", explicou. Em contrapartida, o Hamas e outras facções palestinos reunirão seu armamento pesado e o armazenarão em instalações supervisionadas pelo Comitê.

  • Google Discover Icon
postado em 01/08/2026 05:01
x