política internacional

Putin e Xi Jinping reforçam parceria em encontro na Ásia Central

Líderes se reuniram em Bishkek, Quirguistão antes da Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, que reúne dez países

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, se reuniram nesta segunda-feira (31/8), em Bishkek, capital do Quirguistão, na Ásia Central, às margens da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). O encontro ocorreu um dia antes da reunião do Conselho de Chefes de Estado da Organização, marcada para a terça-feira (1°/9), quando os líderes devem discutir os rumos do grupo e temas de segurança, economia e cooperação internacional.

O encontro entre os líderes serviu para reafirmar a proximidade entre Moscou e Pequim em um momento de forte tensão internacional, principalmente com os Estados Unidos sob o comando de Donald Trump. Na conversa, os dois destacaram a parceria estratégica entre os dois países e a convergência de posições em questões de política externa.

Putin afirmou que Rússia e China mantêm uma cooperação cada vez mais ampla em áreas como energia, indústria, transporte, logística, exploração espacial e tecnologia. Ainda segundo o presidente russo, os dois países também ampliaram as trocas de produtos agrícolas e passaram a trabalhar juntos em inteligência artificial.

Outro ponto citado na reunião foi a relação econômica entre os dois países. O presidente russo destacou a primeira viagem regular de um navio porta-contêineres chinês pela Rota Marítima do Norte, no Ártico, e o crescimento de 34% nas entregas mútuas de produtos agrícolas. Ele também afirmou que a Rússia pretende discutir com Pequim a transformação do regime de isenção de vistos entre os dois países em um acordo permanente.

Xi, por sua vez, afirmou que a relação entre os dois países deve continuar se fortalecendo diante de um cenário internacional marcado, segundo ele, por incertezas e mudanças profundas. O presidente chinês também destacou o papel da OCX na manutenção da estabilidade e na promoção do desenvolvimento na região.

O que é a OCX?

A OCX completa 25 anos em 2026. Criada pela China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, a organização nasceu voltada principalmente para questões de segurança e para a cooperação entre os países da Ásia Central. Ao longo dos anos, ampliou a agenda para comércio, energia, transporte, tecnologia, combate ao terrorismo e intercâmbios culturais. Hoje, reúne dez integrantes: China, Rússia, Índia, Irã, Paquistão, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão.

A cúpula deste ano ocorre em Bishkek sob a presidência do Quirguistão e reúne, além dos dez integrantes, países parceiros e convidados. Entre os nomes presentes estão o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Também participam ou são esperados líderes de países que mantêm diferentes níveis de relação com a organização, como Turquia, Azerbaijão, Armênia, Egito e Vietnã. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também está entre os participantes previstos.

Afinal, a OCX é contra os EUA?

A OCX não se define como uma aliança contra os EUA e não funciona como um bloco militar. A organização afirma defender a soberania dos países, a cooperação e uma ordem internacional baseada em maior equilíbrio entre as potências. O grupo funciona mais como um fórum de cooperação política, econômica e de segurança entre países da Ásia e de outras regiões.

A associação com os EUA ocorre principalmente pelo peso da China e da Rússia no grupo e pelas divergências que os dois países mantêm com Washington em questões econômicas e de segurança.

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