Entrevista | Robert J. O'Neill| MILITAR NORTE-AMERICANO

SEAL que matou Bin Laden relembra operação: "Hora de limpar o quarto"

Integrante da Equipe 6 dos SEALs (tropa de elite da Marinha dos Estados Unidos) que alega ter matado Osama bin Laden fala em sorte e trabalho árduo e relata o encontro com o terrorista que inspirou os ataques de 11 de setembro, há 25 anos

Robert J. O'Neill (E), hoje com 50 anos, ficou cara a cara com Bin Laden (C), mentor do maior ataque terrorista da história (D): orgulho em fazer parte da missão em Abbottabad  -  (crédito: Arquivo pessoal)
Robert J. O'Neill (E), hoje com 50 anos, ficou cara a cara com Bin Laden (C), mentor do maior ataque terrorista da história (D): orgulho em fazer parte da missão em Abbottabad - (crédito: Arquivo pessoal)

Há quase 25 anos, em 11 de setembro de 2001, um esquadrão formado por 19 terroristas sequestrou quatro aviões comerciais nos Estados Unidos. Dois deles foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York; um terceiro atingiu o Pentágono, em Washington; e um quarto foi derrubado pelos próprios passageiros em um campo aberto da Pensilvânia, depois que tentaram tomar o controle da aeronave.

Naquela manhã de terça-feira, Robert J. O'Neill, integrante dos SEALs, a tropa de elite da Marinha dos Estados Unidos, assistia pela televisão, da Alemanha, a cerca de 3 mil americanos serem assassinados. Uma década depois, na madrugada de 2 de maio de 2011, O'Neill e 22 colegas da equipe 6 dos SEALs desembarcaram de helicóptero diante de uma casa de três andares, cercada por muros de 5m de altura com arame farpado, em Abbottabad, no norte do Paquistão.

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Então com 35 anos, O'Neill vasculhava o último piso do imóvel quando ficou cara a cara com Osama bin Laden, o líder da Al-Qaeda. O militar garante que foi o responsável por matar o terrorista mais procurado do mundo, com dois tiros no rosto. Em entrevista exclusiva ao Correio Braziliense, ele diz que se sentiu honrado em fazer parte da equipe que eliminou Bin Laden. "Eu estava convencido de que ele não ia se render e que explodiria todos nós, ali mesmo. Então, ele caiu e chegou a hora de limpar o quarto", relatou. 

Qual o significado de ser o SEAL que matou o terrorista mais procurado do mundo?

Foi uma honra ter sido escolhido para integrar aquela que considero a maior equipe de operações especiais já reunida. Os EUA tinham à disposição excelentes operadores de todo o nosso espectro de forças, e muitos homens poderiam ter cumprido a missão. Aquilo foi um reflexo da imensa quantidade de trabalho duro e dos anos de sacrifício que eu havia empregado — e que também vi meus companheiros de equipe se dedicarem. 

Que sentimentos você tem em relação ao sucesso da missão?

Eu havia servido ao lado dos melhores operadores do mundo e testemunhado o trabalho incrível que eles são capazes de realizar. Saber que eu estava entre os 23 melhores disponíveis para eliminar o terrorista número um do mundo foi uma honra, mesmo antes de a missão ocorrer. Ter sido o homem a efetuar os disparos que eliminaram Osama bin Laden provou que a sorte é o ponto de encontro entre o trabalho árduo e a oportunidade. 

Naquele dia, quando você tinha Bin Laden ao alcance de sua arma, do que você se lembra exatamente? 

Quando o vi, fiquei surpreso com o quão alto e magro ele era. Surpreendeu-me ver que a barba dele era muito grisalha. Eu estava convencido de que ele não iria se render e que explodiria todos nós, ali mesmo. Então ele caiu, e chegou a hora de limpar o quarto. Foi a primeira vez que permiti que o pensamento de sobreviver naquela noite passasse pela minha cabeça.

Depois da operação em Abbottabad, o senhor acredita que o mundo se tornou mais seguro? 

O mundo não se tornou um lugar mais seguro, mas a operação nos deu momentos de unidade. Nós provamos, no entanto, que podemos enviar pessoas para a casa de alguém — e até ao quarto — para capturá-lo a qualquer momento que quisermos. É bom que as pessoas saibam disso. 

Onde estava naquele 11 de setembro de 2001 e quais foram suas impressões?

Eu estava em Stuttgart, na Alemanha, em uma missão de seis meses com a Equipe 4 do Seal. Tinha acabado de concluir uma rotação de 40 dias como atirador de elite no Kosovo — algo que eu imaginava ser o mais próximo da guerra que eu iria vivenciar. Ao assistir aos ataques, soube que toda a minha existência havia mudado.

Quais foram os momentos mais tensos da operação que eliminou Bin Laden?

Os momentos mais intensos em Abbottabad foram quando chamamos o helicóptero para nos buscar. Tínhamos que explodir o primeiro helicóptero, que havia caído no quintal da frente. O tempo de execução precisava ser tão preciso que estávamos preocupados sobre explodir o outro helicóptero. Então, tivemos um voo de 90 minutos, em que corríamos o risco de ser abatidos por caças paquistaneses — mas, se sobrevivêssemos a isso, eu poderia rever meus filhos. 

 O senhor presenciou o sepultamento dele no mar?

Não. Entreguei Osama Bin Laden a dois militares do Exército e eles o levaram embora. Nunca o vi sendo "enterrado" no Oceano Índico. 

 Quando teve ideia do que o senhor e seus colegas fizeram naquele 2 de maio de 2011?

Percebemos que tinha sido uma missão de grande porte quando a Equipe 6 dos SEALs estava em toda parte na internet, e havia estudantes universitários bêbados comemorando na Casa Branca e em Nova York. 

  • Robert J. O'Neill (E), hoje com 50 anos, ficou cara a cara com Bin Laden (C), mentor do maior ataque terrorista da história (D): orgulho em fazer parte da missão em Abbottabad
    Robert J. O'Neill (E), hoje com 50 anos, ficou cara a cara com Bin Laden (C), mentor do maior ataque terrorista da história (D): orgulho em fazer parte da missão em Abbottabad Foto: Arquivo pessoal
  • Robert J. O'Neill, um dos integrantes dos SEALs, a tropa de elite da Marinha, que matou Osama bin Laden
    Robert J. O'Neill, um dos integrantes dos SEALs, a tropa de elite da Marinha, que matou Osama bin Laden Foto: Arquivo pessoal
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Áudio de um menino viralizou nas redes sociais após colar resposta da colega Carol que teria respondido errada uma questão sobre o atentado de 11 de setembro, em 2001.
    Áudio de um menino viralizou nas redes sociais após colar resposta da colega Carol que teria respondido errada uma questão sobre o atentado de 11 de setembro, em 2001. Foto: SETH MCALLISTER/AFP
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    Bin Laden Foto: Rahimullah Yosafzai/AFP
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postado em 06/09/2026 05:00
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