
A Rússia entra pelo fim de semana na expectativa pelo que dirão as urnas ao fim da primeira eleição parlamentar desde que o presidente Vladimir Putin ordenou a invasão da vizinha Ucrânia, em fevereiro de 2022. A votação teve início, no extremo oriente do território, enquanto 350 drones ucranianos avançavam sobre a capital, Moscou — a maioria, interceptada e destruída, segundo o governo local. Com a participação restrita aos partidos que não questionam a guerra, a disputa pelas 450 cadeiras da Duma (Câmara dos Deputados) termina na noite de domingo. Salvo surpresas, os resultados devem confirmar maioria esmagadora para a Rússia Unida, partido do presidente Vladimir Putin, e seus aliados. A eleição será conduzida também nos territórios ucranianos recém-anexados.
As eleições servirão para o Kremlin medir o nível de apoio popular a uma guerra cujas consequências foram sentidas com mais força do que nunca neste ano. Putin governa o país desde o Ano Novo de 2000, e seu partido domina a política do país desde então, sem enfrentar resistência efetiva. Uma das principais forças da minoria parlamentar, o Partido Comunista, vem se aliando sistematicamente ao Rússia Unida, mais ainda desde o início da guerra.
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Em uma seção eleitoral no centro de Moscou, Sergei Korenets, ferroviário de 41 anos, disse à agência de notícias France-Presse (AFP) que votaria no partido governista em nome da "estabilidade", um dos principais lemas centrais do presidente. Questionado se quatro anos e meio de guerra podem ser considerados um símbolo de estabilidade, respondeu: "É claro que quero que tudo isso termine o mais rápido possível".
Censura "soviética"
Poucos na Rússia duvidam da vitória de Putin, que votou ontem, eletronicamente. O Rússia Unida concorre apenas com legendas que, como os comunistas, apoiam a guerra, como os nacionalistas do LDPR, a Rússia Justa e o liberal Gente Nova. O Yabloko, que pediu o fim dos combates, foi excluído da disputa pouco antes da votação. Um de seus principais dirigentes, Lev Shlosberg, foi preso por criticar a guerra.
Tatiana Stanovaya, analista política russa radicada na França, afirmou que o presidente gosta de fazer analogias com o quadro político em países europeus. "Ele pode dizer: 'Vejam, tivemos eleições. Tenho um apoio considerável dos russos. Estamos todos unidos'. Então, para ele, isso é algo muito importante no plano pessoal, emocional e político", disse à AFP.
Em um breve discurso exibido na televisão, na noite de quarta-feira, Putin conclamou os cidadãos a votarem para mostrar às tropas que "por trás de nossos combatentes há milhões de pessoas", e para dar uma "resposta conjunta àqueles que querem enfraquecer a Rússia". A guerra rompeu os laços de Moscou com o Ocidente, que pune a Rússia com duras sanções econômicas.
Frustração
Na ausência de um real debate público, e com a dissidência e as críticas proibidas, a votação servirá ao Kremlin como um termômetro da frustração popular com o conflito, que não tem solução à vista. Neste ano, a guerra afetou os russos mais do que nunca, com ataques ucranianos que chegaram a cidades nos Urais e na Sibéria, a milhares de quilômetros de distância da frente de combate.
Os adversários políticos de Putin foram, na maioria, empurrados ao exílio. A oposição no exílio conclamou os opositores do Kremlin a não boicotarem as eleições e votarem "contra Putin", e publicou recomendações sobre quem apoiar em cada região. Um grupo de eurodeputados e russos exilados, ligados ao Conselho da Europa, classificou as eleições como "farsa" e afirmou que resultarão em uma Duma sem legitimidade democrática. "As autoridades continuam intensificando a repressão sistemática e institucionalizada para excluir qualquer força de oposição", declarou Christian Wigand, porta-voz da UE.
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Censura na Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proibiu ontem o acesso à Casa Branca das emissoras de televisão CNN e MSNOW, assim como do site informativo Politico, aos quais acusou de difundir "notícias falsas". Trump antecipou que serão atingidos "outros veículos da mídia de notícias falsas" — como costuma se referir aos que lhe são adversos —, sem mencionar quais. "Estou orgulhoso de anunciar que, com efeito imediato, proíbo o Falso Canal de Notícias CNN, o MSNOW e o Politico de acessar a Casa Branca como resultado de seus constantes 'relatos' de notícias falsas", postou o presidente em sua plataforma, a Truth Social. Trump não disse o que motivou o veto, mas acrescentou que "veículos de mídia não deveriam poder escrever ou reportar constantemente ficção e mentiras quando estão cobrindo o presidente dos EUA ou o governo Trump".
É extremamente incomum que presidentes americanos proíbam o acesso da imprensa à Casa Branca, embora Trump tenha barrado um repórter da CNN em seu primeiro mandato, e Richard Nixon tenha imposto restrições ao jornal Washington Post por suas reportagens sobre o escândalo Watergate, que levou à sua renúncia, em 1974. No segundo mandato, porém, Trump adotou medidas mais estritas, inclusive filtrando quais jornalistas podem cobrir eventos como parte de um pool com acesso a espaços restritos, como o Salão Oval e o avião presidencial Air Force One.
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