A Casa Branca lançou nesta quinta-feira (3/9) dois videogames que transformam políticas de imigração defendidas pelo governo de Donald Trump em desafios inspirados em clássicos dos jogos eletrônicos.
Um deles coloca o jogador no papel de Tom Homan, principal assessor de Trump para imigração, com a missão de capturar e deportar pessoas que atravessaram o Rio Grande. O outro reproduz, em uma versão inspirada em Tetris, a construção do muro na fronteira com o México.
Os jogos foram disponibilizados no site oficial da Casa Branca e seguem uma estratégia de comunicação adotada pelo governo para divulgar conteúdos sobre sua política migratória de maneira provocativa. A iniciativa foi alvo de críticas de grupos de direitos humanos, em um momento de intensificação das detenções e deportações de imigrantes sem documentos nos Estados Unidos.
Como funcionam os jogos
O primeiro game retoma a mecânica de Snake, clássico lançado originalmente para celulares e computadores, e utiliza uma estética de gráficos retrô. Nele, o personagem controlado pelo jogador representa Homan e precisa percorrer o cenário para capturar o maior número possível de pessoas que tenham cruzado o Rio Grande, na região da fronteira entre Estados Unidos e México. O objetivo final é deportá-las.
O segundo título utiliza elementos de Tetris para representar a construção do muro na fronteira mexicana, uma das principais bandeiras de Trump desde sua primeira campanha presidencial. O próprio nome adotado para o jogo reforça a abordagem: "Proteja a fronteira da horda que se aproxima".
Críticas à estratégia do governo
A divulgação dos jogos provocou reação imediata de organizações ligadas à defesa dos direitos dos imigrantes. Entre os críticos está García Grewal, que questionou a escolha da Casa Branca de transformar a política migratória em entretenimento.
"Quem o criou perdeu de vista o que significa ser humano e se importar com os outros", afirmou à Agence France-Presse (AFP).
A publicação dos games ocorre paralelamente a outras ações de comunicação do governo Trump sobre imigração. Recentemente, o Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgou um vídeo mostrando a deportação de imigrantes haitianos algemados, após Washington revogar o status que permitia a permanência legal dessas pessoas no país. O material, acompanhado de música, foi classificado por opositores do governo como degradante e racista.
O DHS informou ainda ter realizado quase 51 mil prisões de imigrantes sem documentos em agosto, número apresentado pelo departamento como recorde.
Comunicação baseada em provocação
A Casa Branca tem recorrido com frequência às redes sociais para apresentar suas políticas migratórias de maneira deliberadamente provocativa. A estratégia se aproxima do chamado "trolling", prática de publicar conteúdos capazes de provocar reações negativas, ampliar o engajamento e favorecer a circulação das mensagens.
Nesse modelo de comunicação, a repercussão provocada pelo conteúdo passa a fazer parte da própria estratégia de divulgação das políticas do governo, inclusive quando a publicação gera críticas de grupos de direitos humanos e opositores.
Com informações da AFP.
