Um ataque dos Estados Unidos atingiu uma residência onde era realizada uma cerimônia de casamento na província iraniana de Hormozgan e deixou quatro mortos, entre eles uma criança de 4 anos, além de mais de 60 feridos, segundo o Crescente Vermelho iraniano.
O episódio ocorreu na cidade de Kuhestak, no condado de Sirik, região localizada às margens do Estreito de Ormuz, na terça-feira (1º/9). De acordo com a organização humanitária, estilhaços dos mísseis lançados pelos norte-americanos atingiram o imóvel durante a celebração.
Um vídeo divulgado por uma conta oficial do governo iraniano mostrou o cenário após o ataque, com destroços espalhados pelo local e danos à estrutura. Gritos de pessoas podiam ser ouvidos nas imagens.
O número de vítimas foi inicialmente estimado em duas pelo vice-governador de Hormozgan, Ahmad Nafisi. Posteriormente, o Crescente Vermelho atualizou o balanço para quatro mortos e mais de 60 feridos.
Os Estados Unidos realizaram, na terça, uma nova série de ataques contra o Irã, a segunda ofensiva americana em poucos dias.
O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que as ações ocorreram após "recentes tentativas de agressão por parte da (Guarda Revolucionária Iraniana) contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz e contra militares americanos destacados na região".
Irã acusa EUA de crime de guerra
O episódio provocou uma reação do governo iraniano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, classificou o ataque à cerimônia como um "crime de guerra" e afirmou que o episódio demonstraria o que chamou de fracasso da ofensiva americana.
"A verdade desta guerra ilegal de escolha — e a verdadeira face do crime de guerra — está em Sirik, onde uma cerimônia de casamento foi brutalmente bombardeada como parte da luta desesperada dos Estados Unidos para esconder seu fracasso", escreveu Baqaei no X.
Casa Branca investiga ataque
O governo norte-americano afirmou que apura as informações sobre o ataque que teria atingido a cerimônia de casamento, mas demonstrou ceticismo em relação ao relato divulgado pelas autoridades iranianas.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, disse durante uma entrevista coletiva na Casa Branca que o episódio estava sendo investigado. Ao mesmo tempo, no entanto, questionou a confiabilidade das informações divulgadas pela imprensa estatal iraniana.
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"Eu sei que estamos investigando", afirmou Vance. "Eu diria que a mídia estatal iraniana não tem sido uma fonte muito confiável sobre o que aconteceu no conflito até agora. Portanto, estou extremamente cético em relação a isso."
O conflito
Os Estados Unidos entraram diretamente no conflito em 28 de fevereiro, quando, em conjunto com Israel, iniciaram uma série de ataques contra alvos em território iraniano. Desde então, as negociações entre Washington e Teerã permanecem paralisadas.
As tratativas haviam avançado em junho, quando os dois países chegaram a um protocolo de acordo, mas o entendimento acabou fracassando. Com o impasse diplomático, a escalada militar prosseguiu e passou a incluir novos ataques americanos contra o território iraniano.
Com informações da AFP.
