PAZ SOB FOGO

Israel critica concessão do Prêmio Nobel da Paz 2026 a Navi Pillay

Escolha de jurista que presidiu comitê da ONU sobre Gaza gerou critícias do Ministério das Relações Exteriores israelense

Conquista histórica coloca a jurista sul-africana (foto) entre o restrito grupo de 21 mulheres contempladas pela honraria -  (crédito:  Frank Boxler/AFP)
Conquista histórica coloca a jurista sul-africana (foto) entre o restrito grupo de 21 mulheres contempladas pela honraria - (crédito: Frank Boxler/AFP)

A escolha da jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay para o Prêmio Nobel da Paz de 2026 provocou uma dura reação do governo de Israel nesta sexta-feira (10/10).

Aos 85 anos, a ex-chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) foi reconhecida por uma trajetória de cinco décadas no direito, que inclui atuação contra o apartheid, participação no julgamento do genocídio em Ruanda e, mais recentemente, a presidência de uma comissão que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza.

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Esse último trabalho concentrou as críticas israelenses após o anúncio feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo. O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou a premiação de transformar o Nobel em instrumento para validar posições que considera hostis ao país.

Em comunicado, a pasta atacou diretamente a jurista e rejeitou o reconhecimento concedido a ela.

"Se houvesse um prêmio para mentiras, ódio e libelos sanguíneos, Navi Pillay não seria apenas uma concorrente. Ela seria uma das principais favoritas", disse o ministério.

A crítica prosseguiu com a avaliação de que a escolha extrapola o reconhecimento da trajetória profissional de Pillay e confere legitimidade ao que o governo israelense considera preconceito contra Israel.

"Conceder o Prêmio Nobel da Paz a Pillay não é um reconhecimento da justiça. É a grotesca instrumentalização de um prêmio para legitimar o ódio e o preconceito anti-Israel"

Do apartheid aos tribunais internacionais

Antes de assumir funções de destaque nas Nações Unidas, Pillay construiu parte da carreira na África do Sul durante o regime do apartheid. Nesse período, atuou para garantir que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado enquanto estava preso.

Posteriormente, tornou-se a primeira mulher não branca a ocupar uma cadeira na Suprema Corte sul-africana. A carreira ganhou dimensão internacional com sua participação no julgamento do genocídio em Ruanda e com a passagem pelo comando da área de direitos humanos da ONU.

Décadas mais tarde, Pillay voltou ao centro de uma controvérsia internacional ao presidir o comitê contratado pelas Nações Unidas que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza. O trabalho tornou-se um dos pontos mais sensíveis de sua relação com o governo israelense e ajuda a explicar a reação à escolha do Nobel.

Ao anunciar a vencedora, o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, apresentou a atuação jurídica e a defesa do direito internacional como elementos centrais para a premiação.

"Ela foi laureado por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional", afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes.

21ª mulher laureada

Com a premiação de 2026, Pillay tornou-se a 21ª mulher entre os 144 vencedores do Nobel da Paz.

Além da medalha, a jurista receberá 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a cerca de R$ 6 milhões.

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postado em 09/10/2026 12:18
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