
A escolha da jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay para o Prêmio Nobel da Paz de 2026 provocou uma dura reação do governo de Israel nesta sexta-feira (10/10).
Aos 85 anos, a ex-chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) foi reconhecida por uma trajetória de cinco décadas no direito, que inclui atuação contra o apartheid, participação no julgamento do genocídio em Ruanda e, mais recentemente, a presidência de uma comissão que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Esse último trabalho concentrou as críticas israelenses após o anúncio feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo. O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou a premiação de transformar o Nobel em instrumento para validar posições que considera hostis ao país.
Em comunicado, a pasta atacou diretamente a jurista e rejeitou o reconhecimento concedido a ela.
"Se houvesse um prêmio para mentiras, ódio e libelos sanguíneos, Navi Pillay não seria apenas uma concorrente. Ela seria uma das principais favoritas", disse o ministério.
A crítica prosseguiu com a avaliação de que a escolha extrapola o reconhecimento da trajetória profissional de Pillay e confere legitimidade ao que o governo israelense considera preconceito contra Israel.
"Conceder o Prêmio Nobel da Paz a Pillay não é um reconhecimento da justiça. É a grotesca instrumentalização de um prêmio para legitimar o ódio e o preconceito anti-Israel"
If there were an award for lies, hatred, and blood libels, Navi Pillay wouldn’t just be a contender. She’d be a frontrunner. Her role in the relentless, politically motivated demonization of Israel and promotion of the genoLIE speaks volumes. Awarding Pillay the Nobel Peace Prize isn’t a recognition of justice. It’s the grotesque weaponization of an award to legitimize anti-Israel hatred and prejudice. Now that the Nobel commission has rewarded the biggest lie of the 21st century, Joseph Goebbels is certainly applauding from hell.
— Israel Foreign Ministry (@IsraelMFA) October 9, 2026
Do apartheid aos tribunais internacionais
Antes de assumir funções de destaque nas Nações Unidas, Pillay construiu parte da carreira na África do Sul durante o regime do apartheid. Nesse período, atuou para garantir que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado enquanto estava preso.
Posteriormente, tornou-se a primeira mulher não branca a ocupar uma cadeira na Suprema Corte sul-africana. A carreira ganhou dimensão internacional com sua participação no julgamento do genocídio em Ruanda e com a passagem pelo comando da área de direitos humanos da ONU.
Décadas mais tarde, Pillay voltou ao centro de uma controvérsia internacional ao presidir o comitê contratado pelas Nações Unidas que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza. O trabalho tornou-se um dos pontos mais sensíveis de sua relação com o governo israelense e ajuda a explicar a reação à escolha do Nobel.
Ao anunciar a vencedora, o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, apresentou a atuação jurídica e a defesa do direito internacional como elementos centrais para a premiação.
"Ela foi laureado por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional", afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes.
21ª mulher laureada
Com a premiação de 2026, Pillay tornou-se a 21ª mulher entre os 144 vencedores do Nobel da Paz.
Além da medalha, a jurista receberá 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a cerca de R$ 6 milhões.
Mundo
Mundo
Mundo